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Pesquisador da UFOB tira dúvidas sobre a nova variante da COVID-19 encontrada na Região Oeste

Em entrevista exclusiva, o Professor Jaime Amorim explica, em vídeo, o estudo e fala sobre o impacto da descoberta da nova variante na vida dos moradores da região…

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Nova Variante da COVID-19

A divulgação de um estudo realizado pelo Laboratório de Agentes Infecciosos e Vetores (LAIVE) da Universidade Federal do Oeste da Bahia (UFOB), que identificou a presença de uma nova variante da COVID-19 em Santa Rita de Cássia e Barreiras, causou preocupação nos moradores destas cidades.

Por isso, o Professor e Pesquisador Jaime Henrique Amorim, que é coordenador do estudo, concedeu uma entrevista exclusiva ao canal do Youtube do Fala Barreiras, para esclarecer os detalhes deste estudo e explicar os impactos desses resultados na vida dos moradores na Região Oeste.

Veja no final desta matéria o vídeo com a entrevista do Professor Jaime Henrique Amorim sobre a Nova Variante da COVID-19!

A nova variante da COVID-19 é a mesma de Manaus?

Nas últimas semanas, as notícias sobre a crise do Sistema de Saúde do Estado do Amazonas tomaram conta do noticiário nacional e internacional. Um dos fatores que podem justificar o colapso neste estado é a presença de uma nova variante de COVID-19. Por isso, quando se fala em novas variantes do coronavírus, muitas pessoas acabam associando a descoberta ao cenário que tem sido observado no Norte do país.

No entanto, o Professor Jaime Amorim explica que a variante encontrada em Santa Rita de Cássia e em Barreiras não é a mesma que surgiu em Manaus. Na verdade, ela foi identificada pela primeira vez no Rio de Janeiro.

“A variante que surgiu em Manaus é a P1 e a que nós detectamos aqui é a P2. A P2, os estudos científicos mostram que elas foram detectadas pela primeira vez no Rio de Janeiro, então provavelmente ela surgiu ali no Rio de Janeiro. Mas ambas, P1 e P2, são variantes que surgiram em território brasileiro”, afirmou Jaime.

O pesquisador ainda explicou que é muito difícil fazer o controle do espalhamento desse tipo de variante, porque as mutações fazem com que o vírus consiga se reproduzir de uma maneira mais rápida e eficiente. Por isso, alguns países têm reforçado as medidas de controle contra a COVID-19, na tentativa de conter o espalhamento da doença e das novas variantes.

“A contenção exige um compromisso muito forte. Existem alguns países que conseguem fazer isso. Então você precisa fazer isolamento, fechar a fronteira, fazer quarentena de região, precisa de uma disposição a mais. Do contrário, eles se espalham mesmo. O vírus, evolutivamente, eles foram, digamos assim, programados para isso, para se espalhar mesmo”, explicou o pesquisador.

Ainda de acordo com o pesquisador, apesar dos resultados terem sido repassados à Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (SESAB), eles não obtiveram nenhuma resposta. Porém, isso não é um problema, já que o papel que a UFOB tem exercido é, além de formar profissionais, produzir conhecimento, como a descoberta da nova variante, e informar as autoridades e a sociedade sobre isso.

Veja no final desta matéria o vídeo com a entrevista do Professor Jaime Henrique Amorim sobre a Nova Variante da COVID-19!

Como foi realizado o estudo?

Apesar do resultado ter sido divulgado agora, não é de hoje que o LAIVE vem estudando o comportamento do coronavírus na região. O professor Jaime Amorim explicou que o grupo tem realizado coleta de amostras de vírus para estudo desde maio de 2020.

Os vírus coletados foram submetidos ao sequenciamento do genoma completo, técnica que permite ao pesquisador definir toda a composição do material genético do vírus. Com base nos dados coletados, os cientistas conseguem identificar a presença de novas mutações e o monitorar o surgimento de novas variantes da COVID-19.

Veja no final desta matéria o vídeo com a entrevista do Professor Jaime Henrique Amorim sobre a Nova Variante da COVID-19!

A nova variante da COVID-19 é mais letal?

Nova Variante Genética de Coronavírus
Prof. Dr. Jaime Henrique Amorim

Outra dúvida que surge quando se fala em novas variantes é se elas agravam o quadro de saúde do paciente com COVID-19. No entanto, o Professor Jaime Amorim explica que ainda não existem informações na literatura científica sobre o assunto. Por isso, ainda não há dados que indicam que a variante identificada na Região Oeste aumenta a letalidade da COVID-19.

“Até onde a gente sabe, ela não é mais letal. Ela transmite mais fácil, ela é mais eficiente na transmissão e também tem essa possibilidade de escape da resposta imune. O fato de nós termos detectado essa variante aqui mostra que está tendo importação de vírus. A gente continua importando vírus de outros lugares do Brasil. Então, significa que as autoridades de saúde têm que tomar conhecimento disso para montar uma estratégia de controle mais eficiente, porque se a gente continuar importando, a gente pode ter problemas, por exemplo, como Manaus teve e está tendo”, reforçou o pesquisador.

Veja no final desta matéria o vídeo com a entrevista do Professor Jaime Henrique Amorim sobre a Nova Variante da COVID-19!

As vacinas continuam eficazes contra essa nova variante da COVID-19?

Independentemente da variante encontrada, o Professor Jaime reforça que é fundamental tomar a vacina contra a COVID-19, já que ela oferece proteção para variantes da COVID-19 que são conhecidas e estão circulando no país.

Segundo o pesquisador, de fato, existe a possibilidade de novas variantes reduzirem a eficácia dos imunizantes que já têm sido utilizados contra a COVID-19. Porém, ainda não é possível afirmar que a variante encontrada no Rio de Janeiro, Barreiras e Santa Rita de Cássia, provoquem essa redução. Para isso, estudos clínicos ainda precisam ser realizados.

Para conferir outras dúvidas e acessar a entrevista completa do Professor Jaime Henrique Amorim, veja o vídeo abaixo.

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