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Construção Civil

Habitações precárias prejudicam saúde mental e podem gerar adoecimento, alerta psicóloga

Bahia ocupa o 3° lugar no ranking nacional de habitações precárias com 157.927 moradias com famílias vivendo em péssimas condições

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Foto: Fernando Freitas/Flickr

Com o terceiro lugar no ranking nacional de habitações precárias, milhares de baianos vivem sob o risco de desabamento, domicílios improvisados e em espaços com muitas pessoas dividindo a mesma casa. Além dos riscos para a saúde física, viver nessas condições também pode gerar um sofrimento psíquico.   

A arquiteta, mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UFBA, e professora da UNIFACS, Manoela Leiro, explica que as moradias precárias geralmente são áreas com insuficiência de equipamentos coletivos, com insuficiente de infraestrutura e de áreas públicas. Além de apresentarem condições topográficas desfavoráveis, esse é o padrão precário de habitação.  

E essa vulnerabilidade habitacional é condição experienciada por famílias moradoras de regiões periféricas, majoritariamente negras e chefiadas por mulheres, explica a professora do curso de Psicologia da UNIFACS, Lígia Costa. 

“O estado de alerta e tensão constantes frente à ameaça de intempéries climáticas e a proximidade de condições urbanas resultantes de intervenções sanitárias ineficientes, só para citar alguns exemplos, tendem a gerar condições de perigo e desamparo para a população pobre do país”, diz a psicóloga. 

Dados alarmantes  

De acordo com uma pesquisa da Fundação João Pinheiro, são quase 158 mil moradias com famílias inteiras vivendo em péssimas condições. Além disso, a Bahia é o estado que tem o 5° maior déficit habitacional do país, liderando o índice no Nordeste, sendo 584.628 moradias a menos do que o necessário.  

“Esse aumento do déficit habitacional nos últimos anos acontece principalmente a partir de 2019 e se deve à falta de política pública nacional. O Brasil passou a não ter mais um programa nacional para habitação de interesse social, deixou-se de ter foco em um programa que atendesse mais as camadas mais pobres da população”, explica a arquiteta Manoela Leiro. 

Ainda conforme a especialista, quando uma política habitacional nacional é cessada, obviamente haverá um reflexo disso. “Então nós estamos com essa questão. A gente tem um esvaziamento de recursos para justamente atender essa população que está aí na faixa de zero a um salário mínimo. Praticamente você passa a não ter mais uma política pública destinada à população mais carente”

, completa Manoela.  

Viver nessas condições de vulnerabilidade podem desencadear episódios de ansiedade, estados de esgotamento emocional e quadros depressivos, analisa a especialista. “Pessoas, mesmo enquanto adultas, continuam sofrendo os impactos da instabilidade habitacional. Certamente, ainda mais agravados, porque muitos com filhas e filhos se percebem capitaneando as suas próprias famílias e se percebendo não instrumentalizados para promover seguridade para os seus”, salienta. 

Preconceito também é um problema  

Além do sofrimento de viver em uma situação de moradia precária, as dificuldades por conta da vulnerabilidade socioeconômica também atuam como promotores de sofrimento psicológico.  “A região e os recursos para a construção de lares denunciam condições diferenciadas de seus moradores e essa diferenciação desencadeia tensões e distinções entre as pessoas que experienciam situações diferentes”, diz a especialista em psicologia da UNIFACS.  

Pensando nisso, Lígia reforça a importância de potencializar pessoas e garantir que possam acessar efetivamente oportunidades como educação e trabalho, por exemplo. “O desenvolvimento psicossocial só pode acontecer em estado de equidade. Logo é fundamental que o Estado garanta que defasagens sociais sejam vencidas”, completa a professora.  

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