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Covid-19

Pesquisador da UFOB explica como ambientes fechados favorecem a contaminação por COVID-19

Jaime Amorim, Pesquisador da UFOB, também comentou sobre mutações da COVID-19 e até sobre a decisão da Anvisa sobre a vacina Sputnik V.

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Nova Variante Genética de Coronavírus

Apesar da quantidade de informações que revelam os perigos do novo coronavírus, muita gente ainda negligencia a doença. Outros, ainda não entenderam, ou nem sabe, da importância da adoção de medidas simples, como deixar os ambientes ventilados. Esse foi um dos assuntos explicados pelo Pesquisador da UFOB, Doutor Jaime Henrique Amorim, durante uma entrevista ao Programa Poder da Notícia, da Rádio Oeste FM.

Além do perigo oferecido pelos ambientes fechados, Jaime comentou sobre o aumento do números de casos na Região Oeste, sobre a importância de um Lockdown efetivo e até sobre a decisão da Anvisa sobre a vacina Sputnik V.

Vale ressaltar que, além de Professor e Pesquisador da UFOB, Jaime Amorim é biomédico (UESC), mestre em Genética e Biologia Molecular (UESC) e doutor em Biotecnologia (USP). Ele coordena a equipe do Laboratório de Agentes Infecciosos e Vetores (LAIVE), que tem analisado os testes de COVID-19 na região. Por isso, ele tem autoridade para falar sobre o novo coronavírus.

Confira o que o Pesquisador da UFOB revelou sobre a COVID-19 na região.

Número de óbitos em 2021 já está ultrapassando os números de 2020

Jaime Amorim confirmou algo que todos aqueles que tem acompanhado o noticiário já desconfiavam. O número de óbitos por COVID-19 na Região Oeste nos primeiros 4 meses de 2021 já está quase chegando ao mesmo número de óbitos que ocorreram no ano passado. Até agora, já foram registrados cerca de 320 mortes em função do novo coronavírus na Região.

De acordo com o professor, esse aumento provavelmente é resultado da presença da variante do Amazonas, que já dominou a Região. Ele ainda destacou que isso também explica a maior ocorrência de pessoas jovens contaminadas e em estado grave de saúde.

“Essas variantes novas também são mais agressivas inclusive para os mais jovens, coisa que a gente não observava no ano passado. No ano passado, geralmente os casos mais graves eram de pessoas idosas, com várias comorbidades. Então nós temos um quadro epidemiológico bem distinto em relação a 2020. Agora nós chegamos a um momento crítico, onde nós temos mais casos ativos. Em nenhum outro momento nós tivemos um número tão grande de casos ativos quanto esse”, ressaltou o Pesquisador da UFOB.

A aplicação incorreta de medidas restritivas pioram o cenário

Ainda de acordo com Jaime Amorim, o número de casos e óbitos não está diminuindo porque não estão sendo aplicadas medidas restritivas corretas no país. Se isso estivesse sendo feito, esses números seriam bem diferentes.

Segundo ele, os governantes em nível federal, estaduais e municipais, estão optando por medidas restritivas pouco rigorosas. No entanto, ssomente a adoção de medidas mais rígidas é capaz de sufocar o vírus da COVID-19.

“O que a gente precisa na verdade é sufocar o vírus. Como a gente sufoca o vírus e diminui a taxa de contágio de maneira muito relevante? Restringindo ao máximo a circulação de pessoas. Não precisa ser por meses. Você faz isso por algumas semanas. No mínimo, duas semanas, porque você tem que tomar como base o tempo máximo de incubação do vírus, que no caso desse vírus é de 14 dias. (…)A gente já tem visto referências internacionais de outros países, como Portugal, Nova Zelândia, que fizeram assim e conseguiram reduzir muito a taxa de replicação do vírus”, explica o Pesquisador da UFOB.

Apesar de parecer uma medida antipopular, Jaime Amorim explica que a adoção de medidas mais severas é mais inteligente do que manter medidas mais brandas durante um longo período, o que não vai gerar resultados e ainda prejudica a economia.

No entanto, ele reforça que é fundamental utilizar recursos estatais, reduzir impostos e conceder auxílio para manter a população enquanto as medidas restritivas estiverem em vigor.

“Tem que fazer uma campanha prévia para preparar a população e aumentar a adesão. (…) Um lockdown precisa de auxílio para o trabalhador e para o empresário. Não tem como alguém aderir a uma medida restritiva dessa sem ter auxílio“, afirma Jaime Amorim.

Pesquisador da UFOB fala sobre o perigo de novas mutações da COVID-19

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Jaime Amorim ainda comentou que a grande circulação das pessoas favorece o aparecimento de novos vírus. Ele também afirmou que, se o cenário não melhorar, o Brasil pode enfrentar uma situação semelhante ao que ocorre hoje na Índia, com números assustadores e um caos ainda maior no sistema de saúde.

Ainda segundo o Professor, o surgimento de novos vírus podem colocar em risco a eficiência das vacinas que já foram desenvolvidas até agora. Por isso, frear a disseminação da doença é tão importante.

“A vacina é o caminho, mas depende da contenção do vírus, porque se você não controla a circulação do vírus, novas variantes genéticas podem surgir. Quando essas variantes genéticas surgem, elas mudam o alvo da vacina, como já tem acontecido. Então, para a vacina funcionar mesmo em escala populacional, você tem que dar uma sufocada no vírus, eles vão gerar cada vez mais variantes e as vacinas vão se tornar obsoletas muito mais rápido”

, disse o Pesquisador.

Jaime Amorim também ressaltou que todas as recomendações dos especialistas sobre como lidar com uma epidemia já vem sendo estudado há anos. Ou seja, os pesquisadores não inventaram nada. Afinal, essa não é a única pandemia pela qual a humanidade já passou. Por isso, olhando o que foi feito no passado é possível entender o que fazer no presente.

“A gente não está inventando nada. Esse conhecimento já está disponível nos livros. Os nossos alunos de graduação, eles estudam isso aí em epidemiologia, em virologia. Já dou aula disso aí há anos. Então qualquer estudante da área de saúde sabe como é que faz para controlar um negócio desse. Tem que controlar a circulação do vírus. É um raciocínio muito simples”, afirmou Jaime.

A importância dos ambientes ventilados

O Pesquisador da UFOB explicou que o vírus da COVID-19 também se comporta como um vírus respiratório. Isso signfica que, toda vez que uma pessoa contaminada respira, fala, tosse, ela vai expelir gotículas no ar na forma de aerossol.

O problema é que essas gotículas, que estão cheias de partículas da COVID-19, ficam suspensas por horas no mesmo ambiente, o que aumenta o risco de contágio das pessoas que estão no local fechado.

“Se você deixa o ambiente fechado, o que acontece? Essas particulas virais vão se concentrando ali e a chance de outra pessoa respirar e pegar aquele vírus ali, vai aumentando com o tempo. Se você tem o ambiente aberto, com janela e porta aberta, o que acontece? O ar de fora entra, você tem uma circulação, então essas particulas virais que estão suspensas vão sendo levadas embora. Vai diminuindo a concentração. Por isso, para qualquer doença respiratória, vale essa máxima de você manter o ambiente sempre aberto, arejado, ventilado, justamente para não permitir a concentração de vírus no ambiente”, explica Jaime Amorim.

A Anvisa está cumprindo o seu papel, diz Pesquisador da UFOB

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Outro assunto comentado pelo Professor foi a polêmica envolvendo a Anvisa e a reprovação da Sputnik V. O imunizante russo foi reprovado em função de uma série de problemas, incluindo a presença de um “adenovírus replicante”, que não deve ser encontrado em vacinas.

Jaime Amorim lembrou que a Anvisa é uma das agências reguladoras mais respeitadas do mundo e que só fica um pouco abaixo do FDA, agência reguladora dos Estados Unidos. Além disso, ele lembrou que os técnicos que fazem as análises das vacinas são todos concursados e que, por isso, não há conflito de interesses envolvendo a aprovação, ou seja, a decisão do órgão não foi política.

Ele também explicou o problema do adenovírus. Segundo Jaime Amorim, adenovírus é um vírus bastante conhecido e que, geralmente, só causa resfriados. Para a fabricação da vacina, ele foi modificado geneticamente para carregar o gene da COVID-19. No entanto, ele não pode continuar se multiplicando dentro do organismo humano após a vacinação. Isso é inadmissível.

“No relatório, dizia que havia vírus replicativo. Isso não é permitido segundo vários órgãos de ciência internacionais, fala que não se deve permitir a presnça de vírus replicativo, porque traz um risco. A pessoa toma a vacina, pega um resfriado, se for uma pessoa que tem alguma comorbidade, pode até pegar uma doença forte”, explica Jaime.

Segundo o Pesquisador da UFOB, muitas questões sobre a vacina Sputnik V ainda precisam ser esclarecidas antes de sua aprovação. Ele também reforçou que, diante das informações apresentadas pelo Instituto Gamaleya, responsável pelo imunizante russo, a Anvisa agiu corretamente.

“A Anvisa está cumprindo o seu papel, tendo um cuidado. Porque se há dúvida, isso precisa ser esclarecido. Não pode haver dúvida. Se a vacina vai ser aprovada para uso em massa, tem que está muito bem fundamentada de que vai causar o bem e não o mal”, afirmou o Pesquisador.

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