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OESTE DA BAHIA
Harmonizar manejo de água e produção de alimentos é estratégico para a região

O Oeste da Bahia deu um salto qualitativo e quantitativo, através da mudança de mentalidade, em que se atrelam os conceitos de produtividade e sustentabilidade…

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Meio Ambiente

O correto uso da água para a irrigação é estratégico ao desenvolvimento sustentável e à geração de emprego e renda, com resultados altamente positivos, no que tange à redução da pobreza e da desigualdade de renda. Essa foi uma das perspectivas trazidas na tarde da última quinta-feira (24), durante o seminário on-line “Águas do Oeste: legislação e boas práticas de irrigação no agronegócio”. O evento, realizado pela Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa) e pela Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), em parceria com o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), traçou um panorama do manejo da água no cerrado baiano, com foco nas boas práticas e na busca por eficiência, que caracterizam a excelência em termos de sustentabilidade e produtividade que a região tem registrado nas últimas duas décadas.

Na abertura do evento, o presidente da Abapa, Luiz Carlos Bergamaschi, observou que, do ponto de vista histórico, o Oeste da Bahia deu um salto qualitativo e quantitativo, através da mudança de mentalidade, em que se atrelam os conceitos de produtividade e sustentabilidade. Isto também aconteceu nos outros estados produtores de algodão e grãos do cerrado do país. Graças ao modelo de produção adotado no cerrado, o Brasil deixou de ser o segundo maior importador mundial de algodão, nos anos de 1980 e 1990, para tornar-se, atualmente, o segundo maior exportador mundial. “É fácil entender que a água é um ativo imprescindível para nós, seja ela a das chuvas, dos rios, ou aquela que está no interior da terra”, falou Bergamaschi.

O representante dos cotonicultores baianos enfatizou que os produtores seguem a legislação específica quanto ao uso das águas, e comemorou a realização do evento: “A Abapa e a Aiba são grandes fomentadoras do conhecimento e acreditam que é através do debate, sobretudo científico, que surgem as soluções para os problemas”, afirmou.

Por sua vez, o presidente da Aiba, Odacil Ranzi, observou que a preocupação com o social é constante dentre os produtores associados à instituição, tanto que, ao longo de 15 anos, foram investidos cerca de R$ 10 milhões em programas sociais, em pelo menos 12 municípios do Oeste da Bahia. Essa preocupação se aplica, igualmente, à questão da conservação dos solos e das águas. Ranzi citou o Programa de Identificação, proteção e recuperação de nascentes no Oeste da Bahia, empreendido pela Abapa e pela Aiba, com participação de nove municípios da região e apoio do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA). O programa conquistou Prêmio ANA 2020, promovido pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Foi a primeira vez em que o Oeste baiano foi laureado com a premiação. “Essa é uma consciência que tomou conta da área rural e, a cada dia, mobiliza mais e mais produtores. Além de proteger o que está sob a nossa responsabilidade, implementamos programas de preservação que beneficiam a toda a sociedade”, detalhou Ranzi.

Descentralização do desenvolvimento

O diretor de Engenharia e Desenvolvimento da Irrigação do Governo da Bahia, Djalma Pereira Seixas, avaliou que o Governo do Estado tem levado adiante uma estratégia de descentralização do desenvolvimento da economia baiana. Para tanto, há regiões estratégicas para que tal objetivo possa ser alcançado. Ele citou o Oeste e o médio São Francisco. Apenas para se ter uma ideia, nos últimos vinte anos, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos municípios de Bom Jesus da Lapa, Barreiras e Luís Eduardo Magalhães cresceu em, pelo menos, 50%, com repercussões positivas para toda o Oeste, o que demonstra a força da agricultura como geradora de prosperidade. Para que a região prossiga nesse caminho de desenvolvimento econômico e social, ele aponta como estratégicos o uso da tecnologia e a sustentabilidade no uso dos recursos naturais. “Hoje, o agronegócio responde por um quarto do PIB [Produto Interno Bruto] da Bahia, emprega um terço da população e ainda responde por metade das exportações do estado”

, disse.

O engenheiro agrônomo e consultor em agrossistemas integrados, José Roberto de Menezes, prosseguiu nos debates, com o relato de uma mudança de paradigma pela qual passou a agricultura do Oeste. “O Oeste baiano é um exemplo para a agricultura mundial, quando consideramos a melhoria no uso dos recursos naturais, nesses últimos 30 anos”, disse. O estudioso ainda lançou a pergunta: “Por que os solos ácidos arenosos estão produzindo mais que os solos eutróficos, argilosos e de alta fertilidade? – A resposta está no uso e desenvolvimento de tecnologias, que possibilitam a sustentabilidade”.

Segurança alimentar

O chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Cerrados e fundador da Rede Nacional de Irrigantes (Renai), Lineu Rodrigues, destacou o papel da agricultura para segurança alimentar e, como fator estratégico de produção, o uso da água na irrigação, em regiões em que não há constância no regime pluviométrico. Segundo ele, 795 milhões de pessoas no mundo não têm o que comer e quatro em cada dez pessoas não têm acesso a água potável. “O que é preciso fazer é balancear a produção de alimentos com o uso da água. A agricultura nos trópicos desenvolvida no Brasil, altamente tecnológica e sustentável, está colocando o país na liderança global da produção. Somos um dos poucos países do mundo com capacidade de aumentar a produção de forma sustentável”, considera.

De acordo com Rodrigues, a área agrícola do país é de 246,9 milhões de hectares. Destes, 238,7 milhões são lavouras de sequeiro [não irrigadas], o que corresponde a 96% do total. Já a irrigação está presente em apenas 8,2 milhões de hectares, pouco mais de 3%. “Não há problema em se usar um milhão de metros cúbicos de água, se esta água for outorgada. E nós temos uma das legislações mais restritivas do mundo para isto”, pontuou o pesquisador. Lineu falou que dentre 50 cidades de maior vocação agrícola do país, algumas sumiriam, sem o agronegócio. “Não existiriam Juazeiro e Petrolina, polos de produção irrigada. O que seria de cidades do Oeste da Bahia, como São Desidério, Luís Eduardo e Barreiras sem o agro?”, questiona. “A humanidade tem medo de crise hídrica e de crise de alimentos, mas não entende que, sem água, não se produz alimentos e a irrigação garante estabilidade de produção”, afirmou. O evento on-line, que teve como moderador Eneas Porto, gerente de projetos da Aiba, está disponível no canal do IDP no YouTube.

Catarina Guedes | Imprensa Abapa

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