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Bebê de 2 meses passa 1º Dia das Mães em unidade penal

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em

G1 BA

Menina nasceu no Conjunto Penal Feminino (CEF), em Salvador.
Manuela Tavares, mãe do bebê, está presa por tentativa de furto.

Manuela Tavares cuida da filha de dois meses no Conjunto Penal Feminino | Foto: Henrique Mendes/G1

Manuela Tavares cuida da filha de dois meses no Conjunto Penal Feminino | Foto: Henrique Mendes/G1

No Conjunto Penal Feminino (CEF), em Salvador, Manuela Tavares, de 34 anos, enfrenta os dilemas que envolvem a relação entre o crime e a maternidade. Presa quatro vezes por tentativa de furto, a interna tem cinco filhos, sendo que o mais novo deles nasceu há dois meses na unidade penal. Trata-se de uma menina, que irá passar o primeiro Dia das Mães, neste domingo (11), sob o abrigo dos muros prisionais.

Na data comemorativa, Manuela Tavares, que é mãe desde os 21 anos, se apega à recém-nascida para segurar a saudade dos demais filhos. O mais velho deles, que tem 13 anos, mora com a avó paterna desde que nasceu. Os outros três (11, 9 e 5 anos) estão sob os cuidados de uma tia também paterna. “Não vejo eles há dois meses. Eu prefiro que não venham mesmo porque aqui não é lugar para eles. Mas estou com saudades. Quero saber se estão bem”, afirma.

A diretora do conjunto penal, Luz Marina, conta que em dezembro de 2013, quando já estava grávida e presa na unidade, Manuela teve a oportunidade de voltar ao convívio social, após decisão judicial. Dois meses após a soltura, uma nova tentativa de furto levou a ex-interna de volta ao espaço prisional. No local, menos de um mês após o retorno, ela deu à luz à filha que hoje tem dois meses.

Manuela diz que entrou no mundo do crime aos 24 anos, quando já era mãe, devido à falta de oportunidades. “Quem erra sabe que a casa um dia pode cair. Eu fazia para tentar dar o melhor de comer e vestir para eles [os filhos]”, se defende. Apesar da vida de crimes, Manuela tem medo de ser um mau exemplo. “Deus é mais [que eles se envolvam]. Isso não é vida. Sonho em estudar e trabalhar para poder oferecer uma vida melhor para eles”, relata os planos.

Com expectativa de soltura até o final do mês, Manuela diz que o maior desejo neste Dia das Mães é de que os filhos cresçam com saúde, paz e felicidade. “Quero dizer a todos eles que estou com saudades”, diz emocionada. De acordo a assistente social do Conjunto Penal Feminino, Simone Santana, apesar da vida de crimes, as mulheres que estão na unidade dificilmente perdem o apreço pela maternidade. “Elas não perdem a sensibilidade. O vínculo não é perdido e o amor não deixa de existir”, argumenta a profissional.

História de vida
Mais nova de três filhas, Manuela se emociona ao falar da mãe, que morreu quando ela tinha 16 anos. “Minha mãe nos criou sozinha. Ela era um pessoa maravilhosa: amorosa, comunicativa. A perda dela foi um baque. Hoje, não tenho mais ninguém”, contou sob lágrimas. A interna revela que, desde a morte da mãe, precisou se virar sozinha.

Moradora do bairro Alto de Coutos, no subúrbio de Salvador, Manuela conta que, por causa da falta de estudos, nunca teve contrato de trabalho. “Meu sonho é trabalhar na Limpurb [empresa que faz a limpeza urbana na capital]. Lá eu teria carteira assinada e ticket alimentação. Tudo certinho”, sonha.

O atual companheiro de Manuela, que é pai da filha caçula, está preso na Cadeia Pública por prática de assalto. O primeiro filho dela é criado pela avó paterna, mãe do seu primeiro companheiro. Os outros três filhos são criados pela tia paterna, frutos de uma outra relação.

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