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Agro

Piscicultura no Oeste, é um bom negócio?

Alguns produtores têm investido na comercialização de peixes in natura, processamento industrial de peixes (pescado) e distribuição de peixes para pesque-pague como forma de ampliar os lucros nesse setor…

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Piscicultura

Imagem meramente ilustrativa | Foto: Reprodução Instrusul

A piscicultura é um dos ramos da aquicultura que desenvolve o cultivo de peixes e outros organismos aquáticos. Essa modalidade de criação cresceu muito nos últimos anos e movimenta uma parte importante da economia do mercado no Brasil atualmente.

Para a economia, a expansão da piscicultura ou aquicultura é igualmente importante, pois além de diversificar e ampliar a produção de alimentos saudáveis, a atividade gera emprego, renda e tributos, no campo e nas cidades.

A evolução tecnológica da piscicultura brasileira possibilitou a expansão dos criatórios de peixes em diversas regiões do país. Além disso, com as mudanças nos hábitos dos brasileiros, a demanda por peixes tem aumentado de forma marcante, o que atrai novos investidores e empreendedores. Independentemente do tipo de mercado, muitos piscicultores veem a atividade como um negócio lucrativo e com baixo custo.

O Oeste da Bahia já ocupou o posto de maior produtor de peixes em viveiro escavado da Bahia e o segundo maior polo de piscicultura do Estado, porém, a falta de estrutura, principalmente de beneficiamento, armazenamento e comercialização do pescado aqui produzido, acabou fazendo com que a região ficasse para trás. 

No Oeste, a maioria das atividades relacionadas à piscicultura acontece em propriedades rurais comuns, que têm açudes ou represas nos seus limites. Inclusive, é normal que seja um complemento aos demais negócios da fazenda, além de ocupar pouca mão de obra. No entanto, os tanques escavados (reservatórios construídos no solo) também são muito utilizados por alguns piscicultores da região.

O sistema hidráulico desse tipo de tanque é relativamente simples, podendo ser feito com concreto ou vala com conexão de tubo PVC, para condução da água. Dessa forma, pode-se realizar o escoamento da sujeira decantada no interior do tanque com materiais específicos, mas de fácil acesso, como é o caso de um cotovelo articulado. Já o fornecimento deve ser proveniente de nascentes, cursos d’água, canais de irrigação ou açude, por exemplo.

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Espécie de peixe cultivada pelos piscicultores do Oeste | Foto: Arquivo

Vale lembrar que para que o piscicultor seja bem-sucedido, é necessário um bom estudo de mercado, além do conhecimento sobre as espécies de peixes mais adequadas à região, assim como a implantação dos viveiros e o sistema de criação mais propício. Todos são fatores essenciais para que os negócios cresçam. 

Da mesma forma, “para que o negócio seja viável na propriedade, são necessários alguns pré-requisitos básicos, como uma boa conformação do terreno para a criação de peixes, além de um aporte de água em abundância e de boa qualidade”, afirma Giovanni Resende, professor do Curso a Distância CPT Criação de Peixes.

O sistema semi-intensivo de criação de peixes é o mais utilizado na piscicultura mundial. Inclusive 95% das pisciculturas do Brasil adotam esse sistema, pois é o que apresenta melhores resultados. Nele, a produção de alimento natural – como zoo e fitoplâncton, é a principal fonte de alimento dos peixes.

Quando por barramento, o sistema apresenta níveis baixos de monitoramento da qualidade da água. Quando por derivação, o sistema pode apresentar níveis intermediários de monitoramento da qualidade da água ou monitoramento intensivo da água por meio de aeradores mecânicos.

Em Barreiras, a criação em tanques abastece o mercado consumidor da cidade com peixes de boa qualidade. Entre os principais fornecedores estão   agricultores familiares em parceria com a Codevasf que trabalham em conjunto para o desenvolvimento da piscicultura regional.

De acordo com um dos criadores do projeto, no 35, próximo a localidade de Baraúna, “é colocado cerca de mil peixes por tanque, o que resulta em torno de 1.500 kg de Peixe por ano em cada tanque”. Segundo ele, “o lucro é bom, mas ultimamente o preço da ração tem levado muitos piscicultores a desistir de criar por causa da alta.”

De acordo com Valdecir Pereira de Matos, um dos pequenos piscicultores da região de Barreiras, que possui tanques localizados na saída para o povoado de Barreiras Sul, informa que “Hoje as maiores dificuldades enfrentadas pelos piscicultores é manter o peixe devido ao custo da ração que é muito alto”.

Ainda de acordo com Valdecir, o preço de comercialização é em média de 14 a 18 reais o quilo do peixe.  “A atividade da piscicultura em Barreiras deveria ser bem vista pelos órgãos públicos devido ser um meio de emprego e renda. Na minha opinião, os órgãos públicos não ajudam e não incentivam para melhorar a piscicultura da nossa região. Uma fábrica de ração e um frigorífico para a piscicultura da nossa região tornaria mais acessível a comercialização do peixe para o piscicultor”.

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Valdecir Pereira de Matos, pequeno piscicultor de Barreiras, Oeste da Bahia | Foto: Arquivo Pessoal

Vale lembrar que a criação permite a redução da pesca extrativista, tendo como consequência, a preservação das espécies nativas. Além disso, a comercialização de peixes in natura, processamento industrial de peixes (pescado) e distribuição de peixes para pesque-pague são algumas das atividades mais rentáveis da piscicultura atualmente.

Na região Oeste, alguns produtores também têm investido nesse tipo de negócio, como por exemplo, a Fazendinha Gourmet em Barreiras na saída para São Desidério, com o serviço de pesca esportiva, porções, combos, bebidas e buffet por kg.

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