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Baixio de Irecê promete ser o novo Eldorado da produção agropecuária do Brasil

Maior projeto de irrigação da América Latina está na fase final para entrar em operação…

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Baixio de Irecê

Um sonho de mais de meio século que está prestes a ser tornar realidade. Quando começou a ser idealizado, no início da década de 1960, o projeto Baixio de Irecê prometia impulsionar a agricultura do semiárido baiano. Com obras iniciadas em 1999, o maior perímetro irrigado da América Latina, com 105 mil hectares, chegou a ter duas etapas inaugurados, mas nunca deu início à produção. Agora, finalmente, ele irá iniciar a operacionalização. A estimativa da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), empresa ligada ao Ministério da Integração Nacional, é iniciar as atividades em pelo menos 3 mil hectares até o final deste ano. 

Baixio de Irecê

O anúncio motivou uma vista da diretoria e do corpo técnico do Sistema Faeb/Senar e do Sebrae ao local. Nesta semana, uma comitiva das entidades percorreu toda o perímetro irrigado, que conta com um canal de 42 quilômetros de extensão, cortando os municípios de Xique-Xique e Itaguaçu da Bahia. 

“Isso aqui é o sonho de um povo, de uma região. Desde 1963 já se falava nesse projeto. Demorou muitos anos para concebê-lo e depois ficou muito tempo parado, mas agora está sendo realizado e nos enche de esperança, pois não vai se refletir apenas na economia desta macrorregião. Sem medo de incorrer em algum erro, eu me arrisco a dizer que o Baixio de Irecê será o novo Eldorado da produção agropecuária não só da Bahia, mas do Brasil. Aqui temos todos os agentes necessários: terras férteis e mecanizáveis, água em abundância, energia, gente para trabalhar e conhecimento e tecnologia para produção”, pontuou o presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda. 

Outro fator importante para que o projeto decole é mão de obra qualificada. Por isso, as entidades já se anteciparam para oferecer formação e capacitação técnica para atuar no campo. A estimativa é que o projeto gere milhares de postos de trabalhos diretos e indiretos. 

“É um projeto importante, que tem a capacidade de movimentar a economia de toda a macrorregião de Irecê. O Sebrae pode capacitar os produtores e disponibilizar consultorias específicas voltadas para boas práticas agrícolas, o que vai ajudar na parte de logística, produção e comercialização dos produtos”, salientou Edirlan Souza, gerente regional do Sebrae em Irecê. 

O empreendimento, gerido pela Codevasf, inclui reserva legal, área de proteção permanente e área agricultável, nos regimes irrigado e de sequeiro, onde serão cultivados grãos e frutas, além da produção pecuária de corte e de leite, piscicultura e apicultura. 

“Consideramos que esta região vai impactar positivamente em toda a economia do Estado. Pela grandeza, esse projeto chama atenção do mundo inteiro. Já recebemos aqui empresários árabes, espanhóis e portugueses interessados em se instalar na região, pois seremos um grande celeiro produtivo”, contou o gerente regional da Codevasf Luís Alberto Barbosa. 

Produtores rurais de outras regiões do Brasil também já inclinaram o olhar para as terras fartas e férteis do Baixio de Irecê. É o caso do agricultor Célio Vilani, que tinha área consolidada em Primavera do Leste, no Mato Grosso, onde plantava milho, soja e feijão. Ele trouxe toda expertise com os grãos para apostar na Bahia. Há cinco anos o filho mais novo, Vitor Vilani, veio na frente para abrir a área. Há dois ano e meio, ele e a esposa se mudaram e já trabalham no preparo do terreno para iniciar o plantio no próximo ano. 

“Ao ver essa a infraestrutura daqui nós acreditamos imediatamente no projeto, pensando na agricultura irrigada para obter três safras por ano. Adquirimos uma área de 3 mil hectares e vamos começar gradualmente, aumentando aos poucos. Vamos apostar nas três culturas que plantávamos no Mato Grosso, mas depois vamos diversificar”, contou. 

Baixio de Irecê

No Projeto Baixio de Irecê também serão cultivados banana, manga, uva, mamão, melão, mamona e azeitonas. A ideia é que outros empreendimentos se instale na região, a exemplo de agroindústrias para extração de azeite de oliva, óleo de mamona e usinas de álcool e açúcar. 

“A primeira vez que aqui estive eu vi uma estrutura pronta, sem produzir um pé de alface sequer. Hoje me encho de alegria e esperança ao perceber que a engrenagem está rodando e que em breve teremos um grande polo de fruticultura, oleaginosas, grãos, fibra e o que mais plantarem, pois aqui tudo dá”, comemorou Miranda.  

Ascom Sistema Faeb/Senar

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