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Vida e Saúde

JANEIRO BRANCO:
Por que precisamos falar de saúde mental ao público infanto-juvenil?

É cada vez maior o número de crianças e adolescentes acometidos por diagnósticos como depressão e ansiedade. Especialistas ressaltam a importância da prevenção e dos cuidados para que este público se desenvolva de forma saudável

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Campanha nacionalmente conhecida, o Janeiro Branco alerta aos indivíduos sobre a necessidade de se cuidar da saúde mental. Crédito (imagens): divulgação.

Janeiro é conhecido, nacionalmente, como o período de férias no Brasil. Nesta época do ano, é comum as pessoas ocuparem o seu tempo com atividades que geram prazer, tais como jogar futebol com os amigos, passear no parque, sair com os familiares, dentre outras. Todas essas atividades ganham mais atenção dentro de um tema: a saúde mental.

É por isso que a data foi escolhida para marcar a campanha Janeiro Branco, mês de conscientização sobre a importância de se cuidar da saúde mental. E não é para menos: de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2019, quase um bilhão de pessoas — incluindo 14% dos adolescentes do mundo — viviam com algum transtorno mental. O suicídio foi a enfermidade que mais acometeu os indivíduos, sendo responsável por mais de uma a cada cada 100 mortes, com 58% delas ocorrendo antes dos 35 anos de idade.

Os transtornos mentais são a principal causa de incapacidade em indivíduos, sendo que, a cada seis anos de vida de uma pessoa, um a menos é vivido. Pessoas com diagnósticos graves de saúde mental morrem, em média, de 10 a 20 anos mais cedo do que a população em geral, e em situações que poderiam ser evitadas caso fossem submetidas a tratamento. Desigualdades sociais e econômicas, emergências de saúde pública, guerras e crises climáticas estão entre as ameaças estruturais e globais à saúde mental. No grupo de causas relacionadas à saúde mental, a depressão e a ansiedade foram as mais sentidas durante a pandemia, aumentando o número de casos diagnosticados em mais de 25% apenas no primeiro ano da COVID-19.

Entre os quadros mais desenvolvidos de doenças relacionadas à saúde mental em crianças e adolescentes, merecem atenção especial, os decorrentes de diagnósticos relativos à hiperatividade. A maioria dos profissionais de saúde é unânime em dizer que tais quadros precisam ser observados desde cedo, a fim de se evitar problemas mais graves.

Para a psicóloga Andrea Chaves, os quadros de hiperatividade no público infanto-juvenil servem como alerta para lidar melhor com indivíduos que desenvolvem tal ocorrência. “A hiperatividade significa um aumento da atividade motora, deixando a criança quase constantemente em movimento, levando-a a momentos de inquietação e agitação, fala exagerada, ansiedade, agressividade, irritabilidade, impulsividade, falta de atenção e dificuldade de absorver aprendizados, assimilar regras e compreender instruções”, observa a profissional.

Identificados esses fatores, de acordo com Chaves, faz-se necessária a busca por tratamento especializado, a fim de proporcionar maior facilidade de socialização à criança e ao adolescente e, consequentemente, uma melhora em sua qualidade de vida.

Volta às aulas

Em períodos como o de volta às aulas, a profissional também chama a atenção para o fato de que é preciso compreender mais sobre o TDAH (Transtorno do déficit de atenção com hiperatividade), fator que desencadeia crises como as de ansiedade, por exemplo. Nesse sentido, é importante que os pais/responsáveis compreendam a atipicidade dessas crianças para que, de alguma forma, possam facilitar a rotina de suas tarefas, incluindo o momento de estudo.

Organização de materiais, quadros de tarefas e recompensas ajudam a criança com TDAH a iniciar o ano de forma mais estruturada, facilitando a execução das suas atividades no decorrer dos próximos meses. Além disso, auxilia na construção de confiança e autoestima ao reconhecer êxito em seus afazeres, o que aumenta a sua segurança, até mesmo, para se relacionar com outros indivíduos. “É preciso trabalhar a melhora dos resultados nos estudos e a socialização da criança para que consiga fazer e manter amizades, bem como aprender a se portar na relação com outras pessoas”, observa Andrea.

Outro ponto é ensinar a elas formas de compreender e cuidar dos seus sentimentos e emoções, evitando, assim, problemas típicos de desentendimentos nesta fase. “É preciso que elas aprendam a lidar com suas emoções, evitando birras, crises de irritabilidade e brigas, ou seja, evitando comportamentos mais desafiadores destas. Além disso, mostrar às famílias estratégias de comunicação assertivas, inserindo uma rotina diurna que funcione e uma rotina noturna, que faça a criança ter um sono tranquilo e restaurador. Assim, a mesma terá melhores resultados em sua convivência social e familiar”, relata a profissional.

Enfermidade nacional

Um ponto em comum que os profissionais de áreas ligadas à saúde e ao esporte também chamam a atenção diz respeito a indivíduos hiperconectados — que ficam muito tempo focados em dispositivos eletrônicos, tais como celulares e iPads. Quando o assunto é atividade física, os viciados em telas costumam apresentar dificuldade para o desenvolvimento de exercícios e, muitas vezes, recusam-se a fazê-los. Segundo pesquisas recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), no caso de indivíduos hiperconectados, em países desenvolvidos, há mais pessoas morrendo de obesidade do que de fome. E, quando falamos deste grupo, os riscos de se ter um desenvolvimento irregular são iminentes.

A profissional de Educação Física da Bodytech Keila Ferreira da Silva compartilha da mesma opinião de Andrea Chaves quando o assunto é a saúde mental de indivíduos em fase escolar, chamando a atenção para os riscos da conectividade em excesso. “A hiperconectividade é causadora de muitos danos à saúde física e mental. Problemas como insônia, ansiedade, procrastinação, sedentarismo, isolamento, depressão, problemas de visão, desconcentração, irritabilidade e tantos outros são consequências do excesso de telas. Geralmente, esse público é averso à atividade física, tornando-se, cada vez mais, sedentários, ansiosos e isolados da vida real”, pondera a profissional.

Assim como a psicóloga, Keila também alerta para a hiperatividade em crianças e adolescentes que, entre outras coisas, pode acarretar quadros como distúrbios alimentares e obesidade infantil. Somados, esses fatores levam à queda de rendimento, principalmente, quando falamos em período escolar. “Esse público sofre bastante impacto escolar e social. Segundo pesquisadores, há possibilidade de que o TDAH esteja relacionado a alterações genéticas do funcionamento das proteínas transportadoras de dopamina (DAT1) no núcleo estriado e dos receptores de dopamina (DRD4) nas porções anteriores do córtex pré-frontal, havendo alterações que envolvem estes neurotransmissores e receptores”, explica Keila.

E o que fazer nesses casos?

A boa notícia é que a prática contínua de atividade física traz melhoras significativas ao indivíduo, já que ela, por si só, faz com que o cérebro libere dopamina, responsável por uma melhora na capacidade de concentração e atenção às atividades diárias. “Além disso, é capaz de reduzir o nível de estresse e ansiedade, controlando o risco de doenças metabólicas decorrentes da obesidade, presentes tanto em um grupo quanto no outro.”

As duas também são enfáticas ao ressaltar o papel dos pais na construção de valores para os filhos. “Hoje, vemos uma geração com muita inversão de valores, pois a questão deste público não aceitar ser contrariado e a permissividade familiar estão cada vez mais fortes. Nesse sentido, é preciso desenvolver atividades em família e responsabilizar as crianças sobre suas ações, proporcionando a oportunidade de descobrir um prazer singular no esporte coletivo”, reporta Keila.

Equilíbrio Nutricional

Todos esses quadros também estão relacionados à alimentação, já que o cérebro precisa ativar as conexões neurais para se manter em pleno funcionamento. Quando falamos de estudantes em idade escolar, tais conexões são vitais para a assimilação de conteúdos vistos por crianças e adolescentes. Este último grupo, em fases de preparação para vestibulares, por exemplo. Tais processos evitam crises, como as decorrentes de ansiedade, que geram quadros de compulsão alimentar.

José Ribas, da Clinica REVIV, em Brasília, destaca alguns alimentos que são vitais para esta fase da vida, como o chocolate amargo, fonte de nutrientes saudáveis ao corpo. “Nós sempre recomendamos o uso de chocolate em torno de 70% de cacau, já que este é rico em flavonóides e catequinas, substâncias químicas que vão auxiliar na vasodilatação cerebral, melhorando a circulação sanguínea do cérebro, estimulando a função cognitiva e, principalmente, a memória, em especial, a de curto prazo. Além disso, há a presença de magnésio, que também ajuda em outros processos bioquímicos do corpo”, ressalta o profissional.

Já na área dos peixes, o Dr. José Ribas chama a atenção para pescados como sardinha, salmão e cavala, ricos em Ômega 3, gordura considerada essencial e com alto poder antioxidante e anti-inflamatório, além de melhorar a função neurológica, protegendo contra radicais livres e agressões que podem ocorrer no cérebro durante o processo de envelhecimento. “Artigos publicados mais recentemente mostram que os Ácidos Graxos Poliinsaturados, conhecidos como PUFAs, encontrados nestes alimentos, auxiliam no raciocínio lógico e, principalmente, na memória a curto prazo”.

Demais alimentos

O médico pondera que há outros alimentos que também fazem esse papel e que são essenciais a quem estuda. O ovo, por exemplo, é rico em colina, substância importante para estabelecer a conexão dos neurotransmissores, consequentemente, melhorando o aprendizado. “Além disso, por ser rico em Vitamina B12, auxilia no melhor funcionamento do cérebro, no raciocínio e na memória a longo prazo”, destaca o especialista.

Já o brócolis, por ser rico em ácido fólico, é responsável por melhorar o DNA das células cerebrais, reduzindo, de forma significativa, o esquecimento e auxiliando nos processos de memória. As frutas vermelhas também desempenham este papel, especialmente, as mais escuras, como a uva roxa, o mirtilo, a amora e o açaí, ricas em antocianina e vitamina C. “Vale destacar que algumas destas frutas têm grande concentração de licopeno, fontes importantes que exercem a função de antioxidante e com alta capacidade anti-inflamatória, melhorando a capacidade cognitiva e aumentando a oxigenação cerebral, o que colabora para o funcionamento da memória recente e a longo prazo”, pondera.

Ultraprocessados

Se, por um lado, os infanto-juvenis devem ter uma alimentação equilibrada, por outro, devem manter o alerta ligado para os chamados ultraprocessados, pois estes apresentam riscos para a saúde corporal como um todo. Dr. José Ribas explica que, por serem alimentos que recebem aditivos como conservantes, corantes e flavorizantes, estes aumentam o processo inflamatório a nível cerebral. “Pesquisas mais recentes mostram que estes favorecem o risco do surgimento de males relacionados ao cérebro, como Alzheimer e Parkinson, alterando os neurotransmissores e colaborando para doenças do envelhecimento”, acrescenta.

Mas como evitar que este público não seja atingido pelo esquecimento e tenha uma boa saúde mental? Dr. José Ribas dá a receita para a longevidade:

“Quando a pessoa tem um estilo de vida adequado, principalmente, se ela se encontra em uma fase de estudo, momentos como relaxamento, uma alimentação balanceada e exercícios físicos favorecem uma diminuição da inflamação cerebral, auxiliando na melhora do fluxo sanguíneo do cérebro, de uma forma geral, melhorando a performance cognitiva, e podendo, às vezes, utilizar nutracêuticos e fitoterápicos, que podem potencializar o efeito de concentração e memória a longo e a curto prazo. Além, claro, que todos devem fazer uma avaliação médica para compreender como andam os níveis de vitaminas e sais minerais e, principalmente, o estado nutritivo, para gerar a performance cognitiva como objetivo que este indivíduo almeja”, finaliza.

Agência Mithi

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