Siga-nos

Vida e Saúde

Imunização é a única forma de se prevenir contra a meningite meningocócica

Vacinas C e ACWY (conjugadas) favorecem a redução do número de portadores do meningococo na nasofaringe, protegendo a população

Publicado

em

Imagem meramente ilustrativa | Foto: Reprodução G1

O Ministério da Saúde (MS) decidiu ampliar o calendário de vacinação contra a meningite meningocócica, buscando oferecer, até julho de 2023, o imunizante conjugado ACWY para  pessoas não vacinadas na faixa de 11 a 14 anos. A orientação se baseia no fato de adolescentes e adultos jovens serem os principais portadores do meningococo na nasofaringe, aumentando os casos em outras idades.

“A meningite meningocócica é endêmica, ocorre em todo o mundo e é responsável por surtos e epidemias. Os casos de meningites bacterianas podem ocorrer durante todo o ano e a  incidência da meningocócica é mais elevada no final do inverno e início da primavera”, explica a infectologista Ana Rosa dos Santos, gerente do serviço de vacinas do Grupo Sabin.

No total, existem 12 sorogrupos de meningococos identificados, entre eles seis (A, B, C, W, X e Y) com potencial epidemiológico. No Brasil predominam três sorogrupos prevalentes (B, C e W). A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem a meta de eliminar e controlar a meningite meningocócica no mundo até 2030.

A meningite se caracteriza por um processo inflamatório das meninges (membranas que protegem o cérebro) e da medula espinhal. A doença é causada principalmente por vírus e bactérias. “O meningococo é uma bactéria invasiva que se en contra na nossa mucosa e na nasofaringe e a transmissão se dá por via respiratória, com entrada pela boca e colonização na nasofaringe. Entre os sintomas comuns estão: dor de cabeça, rigidez do pescoço, febre  alta e mal-estar”

, acrescenta a médica.

É uma doença de evolução rápida, atinge a corrente sanguínea e chega ao cérebro em 24 horas. Por isso, diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais para reduzir sua gravidade, evitando sequelas físicas e motoras, como perda de audição, dificuldade cognitiva, entre outras. A doença pode levar a óbito em poucas horas. “O diagnóstico e o tratamento precoces são fundamentais para evitar as sequelas”, explica a médica. 

A vacina ACWY, além de proteger contra esses sorogrupos, evita a transmissão da doença. A rede pública oferece a vacina C (conjugada), indicada para crianças de três a cinco meses, com reforço aos 12 meses de vida. Nos adolescentes de 11 e 12 anos, está indicada uma dose mesmo que já tenham recebido a vacina meningocócica C anteriormente. Essa dose serve como um reforço para o C e uma ampliação com os outros sorogrupos.

Na rede privada, a vacina ACWY está disponível a partir dos três meses até 50 anos de idade, recomendada para viajantes que se deslocam para áreas de risco, por exigência frente à situação epidemiológica. “A vacinação é a principal forma de prevenção da doença meningocócica. Além das vacinas C e ACWY, temos a vacina meningocócica B, produzida por uma metodologia diferente, a vacinologia reversa recombinante. Disponível apenas na  rede privada de saúde, deve ser administrada até os 50 anos (em duas doses).  As vacinas são seguras e eficazes, os reforços são importantes pela possibilidade de diminuição da proteção”, enfatiza a médica.

“Novas vacinas são desenvolvidas, e outras tantas são aprimoradas, buscando minimizar a propagação da meningite meningocócica. Em uma perspectiva futura, espera-se que um único imunizante com esses sorogrupos (ABCWY) seja produzido para evitar a doença meningocócica. Estudos já estão sendo desenvolvidos nesse sentido. Enquanto isso, é importante que todas as pessoas estejam com o cartão de vacinação sempre em dia, atualizando as doses necessárias, conforme calendário de vacinação, contribuindo com a meta de redução da doença no mundo”, destaca Ana Rosa.

Clique para comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Fala Barreiras