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Vida e Saúde

Estudo revela impacto da variante Gamma do Novo Coronavírus na saúde do oeste da Bahia em 2021

Estudo do CCBS-UFOB mostra que a substituição de variantes genéticas mais antigas do Novo Coronavírus pela variante Gamma causou um aumento significativo nos números de mortes no oeste da Bahia em 2021…

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Variante Gamma

Um estudo coordenado pelo professor Jaime Henrique Amorim, biomédico do CCBS-UFOB, monitorou o comportamento epidemiológico do coronavírus causador da COVID-19 (SARS-CoV-2) de maio de 2020 a julho de 2021 no oeste da Bahia. O estudo foi baseado no atendimento de quase 17 mil pacientes e buscou verificar o comportamento da COVID-19 em função do sexo, idade e carga viral dos pacientes. Além disso, buscou conhecer as variantes virais circulantes em cada momento do estudo e sua relação com o impacto na saúde local.

O trabalho teve primeira autoria de Josilene Ramos Pinheiro, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Biologia e Biotecnologia de Microrganismos da Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia. Além disso, contou com a colaboração das estudantes de pós-graduação do Programa Multicêntrico em Bioquímica e Biologia Molecular da UFOB, Jessica Pires Farias e Mayanna Moreira Costa Fogaça. Também contou com a participação das egressas do curso de Ciências Biológicas do CCBS, Itana Vivian Rocha Santana e Ana Luiza Silva Rocha.  

Variante Gamma
Josilene Ramos Pinheiro, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Biologia e Biotecnologia de Microrganismos da Universidade Estadual de Santa Cruz, Bahia

O estudo também contou com a parceria de pesquisadores da Universidade Federal do Oeste da Bahia, Universidade Estadual de Santa Cruz, Universidade Federal d Minas Gerais, Universidade de Brasília, Universidade Federal de São Paulo, Universidade de Chicago (EUA), Universidade de Columbia (EUA) e Universidade de Wisconsin-Madinson (EUA).

Com a pesquisa, foi possível verificar que: i) os números de casos de COVID-19 e óbitos por COVID-19 oscilaram ao longo do tempo; ii) que os homens foram os mais acometidos pelos óbitos, assim como as pessoas com idade de 60 anos ou mais. Também foi observado que iii) indivíduos entre 30 e 44 anos foram os mais acometidos pelos casos de COVID-19. Além disso, iv) as cargas virais na nasofaringe dos pacientes foram maiores no início do período sintomático.

Variante Gamma
P professor Jaime Henrique Amorim, biomédico do CCBS-UFOB

O resultado que mais chamou à atenção os pesquisadores foi que v) as variantes genéticas de SARS-CoV-2 de início de pandemia circulantes em predomínio na região oeste da Bahia até dezembro de 2020 foram substituídas pela variante de preocupação (VOC) P.1 (Gamma), a partir de janeiro de 2021, o que levou a um aumento significativo no número de mortes.

Importância e perspectivas futuras

O estudo mostra a importação de uma variante mais agressiva do novo coronavírus para a região oeste da Bahia, o que resultou num impacto negativo relevante na saúde local. De maneira geral, o estudo mostra que houve falha na contenção da doença, evidenciada pela importação e domínio da nova variante viral. As lições que o estudo traz apontam para uma necessidade de melhoria das políticas públicas de contenção da doença.

Na sequência desse estudo, os pesquisadores estudaram duas epidemias da variante Omicron na região oeste da Bahia e agora preparam artigos para publicação dos resultados. O coordenador do estudo, professor Jaime Amorim, integra a Rede Corona-ômica, ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

Esta rede tem por objetivo realizar a vigilância genômica dos coronavírus no país. Desta forma, novos estudos deverão ser produzidos a partir do monitoramento dos vírus realizado com base no sequenciamento genético dos mesmos. Os dados oriundos das pesquisas têm sido repassados às autoridades locais de saúde em tempo real.        

A pesquisa contou com apoio financeiro do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

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