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“TSE começa a colocar as coisas em seu devido lugar”, dispara Lula ao comentar inquérito para investigar Bolsonaro

O ex-presidente disse que que quem governa o país hoje é o ministro da Economia, Paulo Guedes…

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Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil | Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, comentou a campanha ostensiva que o Presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), vem fazendo ao criticar o atual sistema eleitoral brasileiro. Além de investigar esses ataques, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encaminhou ainda notícia-crime para que Bolsonaro seja também investigado no inquérito das fake news, aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na avaliação de Lula, o Judiciário começa a “colocar as coisas em seu devido lugar”, uma vez que Bolsonaro insiste em desviar o foco com temas irrelevantes para não assumir a responsabilidade de governar o país em um de seus momentos mais críticos da história brasileira.

“Mais grave do que o desrespeito às instituições é o desrespeito à sociedade brasileira que o Bolsonaro mostra. Colocar em xeque a urna eletrônica neste instante histórico, depois de tantas eleições em que não houve uma única prova de corrupção, é procurar pelo em ovo. Ele faz provocações, ele ofende as pessoas, ele agride, desrespeita, mas não governa o país. Você não vê um gesto do Bolsonaro dedicado à governança do país”, disse Lula.

Em entrevista ao jornal Brasil Atual, nesta terça-feira (3), o petista afirmou que quem governa o país hoje é o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Arthur Lira, que não têm compromisso com o povo e estão focados em acabar com as principais empresas desse pais.

“O seu Bolsonaro, quando foi eleito, enganando a sociedade com fake news, dizia que queria governar o Brasil. E ele tem a obrigação de governar o país, de parar de falar bobagem. (…) Ele não cuidou da pandemia, não cuidou e não cuida da fome. No discurso dele não está a questão da fome porque ele sabe que está ligada à questão do desemprego, do salário, do aumento dos preços. O arroz já subiu quase 50%, o feijão, quase 25%, a carne, quase 40%. A gasolina subiu, desde que tomou posse, quase 73%, o gás subiu 57%”, ressaltou Lula.

Lula subiu o tom da entrevista ao citar outra promessa não cumprida por Bolsonaro. “Até hoje o (ex-assessor de Flávio Bolsonaro, Fabrício) Queiroz não foi investigado; ele protege o (general Eduardo) Pazuello por 100 anos sem nenhuma base legal, com um decreto. É uma piada que não se sustenta. Qualquer presidente vai ter de abrir isso porque tem lei que regulamenta o que é sigiloso ou não, e não a vontade do presidente de esconder as suas mazelas”, disse. “Bolsonaro dizia ‘ah, a velha política é a desgraça deste país’. E ele, para sobreviver, está tendo uma relação promíscua com a velha política. O relator do orçamento tem R$ 20 bilhões para gastar nessas eleições agora, o presidente da Câmara tem mais R$ 3 bilhões e ainda falta fazer o orçamento para as eleições”,

completou.

Reconstrução do país

Lula lamentou o grave momento político que o país se encontra e só a união de todos os poderes pode mudar essa realidade. “Dedico quase todo o meu tempo pensando como juntar gente para resolver os problemas do Brasil. Hoje, é preciso muita habilidade para juntar os empresários, os trabalhadores, as universidades, as pessoas que pensam no Brasil para encontrar uma solução. Não tem mágica. Você tem que juntar essa gente toda e discutir que Brasil a gente quer”, defendeu.

A democracia, segundo Lula, é a única via de solução. “Toda vez que você nega a política, o que vem depois é pior. Quando você nega a política, o resultado é o fascismo, é a ditadura, é um governo autoritário. A política é extraordinária se exercida democraticamente porque ela permite a alternância de poder. Não apenas a alternância de pessoas, mas de classes sociais. Você pode ter um intelectual, um metalúrgico, um engenheiro, um empresário, um monte de gente que, de forma alternada, pode exercer o poder. É isso que garante a democracia e é por isso que, efetivamente, eu não nego a política e acho que não existe saída para os problemas da sociedade, mundial, fora da política.”

O ex-presidente, destacou a importância do povo brasileiro fazer a escolha certa. “Tem que saber escolher. Por exemplo: você quer uma reforma tributária para que o rico pague mais imposto. Então você não pode votar em rico para ser a maioria do Congresso nacional. Você quer que tenha uma política de reforma agrária, tranquila e pacífica, para que as terras improdutivas no Brasil sejam distribuídas de forma justa. Você não pode votar em 300 deputados ruralistas, você tem de votar em pessoas que pensem como você”, avaliou.

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