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No dia da sua filiação, Moro sobe o tom, ataca Lula e Bolsonaro em discurso como pré-candidato

Questionado por apoiadores sobre o discurso do seu ex-ministro, Bolsonaro disparou: “Não aprendeu nada”…

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Sérgio Moro

E aos poucos o xadrez político para a sucessão presidencial vai se desenhando para 2022. Nesta quarta-feira (10), o ex-juiz federal Sérgio Moro anunciou sua filiação ao Podemos. Na ocasião, Moro fez um discurso já como postulante à Presidência da República durante cerimônia realizada no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Esse foi o primeiro passo do ex-magistrado como candidato e acontece a exatos 565 dias após romper relações com o Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a turbulenta saída do Ministério da Justiça, onde afirmou existir tentativas de interferências do chefe do executivo nas ações da Polícia Federal.

“Não tenho uma carreira política e não sou treinado em discursos políticos. Alguns até dizem que não sou eloquente, e muita gente critica a minha voz. Mas, se eventualmente eu não sou a melhor pessoa para discursar, posso assegurar que sou alguém em que vocês podem confiar”, afirmou.

DISCURSO DE CANDIDATO 

Como esperado, no seu primeiro discurso como pré-candidato, Moro levantou algumas bandeiras muito utilizadas nessas ocasiões, como o legado deixado pela Operação Lava Jato, o combate contínuo à corrupção. Além disso, criticou as administrações lideradas por petistas e bolsonaristas.

“Precisamos falar sobre corrupção. Muitos me aconselharam a não falar sobre o assunto, mas isso é impossível. Combater a corrupção não é um projeto de vingança ou de punição. É um projeto de justiça na forma da lei. É impedir que as estruturas de poder sejam capturadas e dessa forma viabilizar as reformas necessárias para melhorar a vida das pessoas”, disse.

“É um projeto para termos um governo de leis que age em benefício de todos e não apenas de alguns. Chega de corrupção, chega de mensalão, chega de petrolão, chega de rachadinha. Chega de querer levar vantagem em tudo e enganar a população”, continuou.

CRÍTICAS AOS DESAFETOS 

O ex-juiz Sérgio Moro foi cirúrgico em seu discurso ao criticar não somente a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a quem ele mesmo condenou à prisão nos casos da Lava Jato pela 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), mas também o atual mandatário da República, em que participou como Ministro da Justiça até abril de 2020.

“Em 2018, recebi um convite do presidente eleito para ser ministro da Justiça. Como todo bom brasileiro, eu tinha esperança por dias melhores. Como todo brasileiro, eu pensava no que nós havíamos presenciado nos últimos anos: os grandes casos de corrupção sendo revelados, dia após dia, os pixulecos, as contas na Suíça, milhões de reais ou dólares roubados”, afirmou.

“A Petrobras, nosso orgulho, foi saqueada dia e noite por interesses políticos, como nunca antes na história desse país. Apartamentos forrados de dinheiro roubado em espécie e uma persistente recessão, provocada pelos mesmos governos que permitiram tudo isso, com as pessoas comuns desempregadas e empobrecendo”, disse.

MISSÃO IMPOSSÍVEL?

“Era um momento que exigia mudança. Eu, como juiz da Lava Jato, me sentia no dever de ajudar. Havia pelo menos uma chance de dar certo e eu não poderia me omitir. Aceitei o convite e ingressei no governo. Meu objetivo era melhorar a vida das pessoas por meio de um trabalho técnico, principalmente reduzindo a corrupção e outros crimes”, pontuou.

“O meu desejo era continuar atuando como ministro em favor dos brasileiros. Infelizmente, não pude prosseguir no governo. Quando aceitei o cargo, não fiz por poder ou prestígio. Eu acreditava em uma missão. Queria combater a corrupção, mas, para isso, eu precisava do apoio do governo e esse apoio foi negado. Quando vi meu trabalho boicotado e quando foi quebrada a promessa de que o governo combateria a corrupção sem proteger quem quer que seja, continuar como ministro seria uma farsa”, complementou.

TERCEIRA VIA?

Sergio Moro encabeça a lista da chamada e até então indefinida “terceira via” para a sucessão presidencial. Analistas políticos projetam que o nome do ex-juiz é um dos mais competitivos, com aproximadamente 9% das intenções de voto nas simulações de primeiro turno divulgadas por institutos de pesquisas.

SALVADOR DA PÁTRIA?

“Após um ano morando fora, resolvi voltar. Não podia ficar quieto, sem falar o que penso, sem pelo menos tentar mais uma vez, com você, ajudar o país. Então resolvi fazer do jeito que me restava: entrando para a política, corrigindo isso de dentro para fora”, disse.

“Se necessário, eu lutaria sozinho pelo Brasil e pela Justiça. Seria Davi contra Golias. Mas, ao ver esse auditório, tenho certeza que não estou sozinho. Tenho essa mesma certeza quando encontro as pessoas nas ruas, nos mercados, nas escolas, em qualquer lugar, e elas estão com um sorriso no rosto, me cumprimentam ou elogiam pelo trabalho que foi feito na Lava Jato ou no Ministério da Justiça. Então, voltei ao Brasil para ajudar a construir um projeto que é de muitos”, afirmou.

REAÇÃO DE BOLSONARO

Questionado sobre o discurso do seu ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, feito ontem durante o ato de filiação ao Podemos, em Brasília, Bolsonaro não poupou críticas.

“Vocês gostaram do discurso lido pelo cara ontem? O cara leu. Eu assisti porque foi meu ministro. Leu o discurso. Não aprendeu nada. Um ano e quatro meses ali e não sabe o que é ser presidente, nem ser ministro. Mas tudo bem”, disse Bolsonaro em frente ao Palácio da Alvorada nesta quinta-feira (11), onde se encontrou com apoiadores.

O chefe do executivo também falou sobre a dificuldade em vários estados para a escolha de candidatos. “Se eu sair fora sobra o que na mesa? Não vou nem falar que eu sou bom não, mas o que tá na mesa aí é intragável”, disparou.

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