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Mandetta diz que alertou Bolsonaro sobre previsão de 180 mil mortes por COVID-19, mas Presidente ignorou

Para o ex-ministro, Bolsonaro adotou uma postura “bem negacionista e bem raivosa”, ignorando as projeções

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Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro de saúde do Governo de Jair Bolsonaro, declarou que alertou o Presidente sobre a possibilidade do Brasil alcançar a marca de 180 mil mortes em função da Covid-19. De acordo com dados do Painel do Coronavírus do Ministério da Saúde, até hoje já foram registrados 138.808 óbitos no país.

Bolsonaro adotou uma postura negacionista e raivosa

Em entrevista ao programa “Conversa com Bial”, Mandetta ainda declarou que não havia revelado essa informação para o público, mas que havia mostrado, até mesmo por escrito, para Bolsonaro as previsões dos técnicos do Ministério da Saúde, que incluíam três cenários diferentes, com projeções de 30 mil a 180 mil mortos. Naquela época, o país contava com 92 mortos pela Covid-19.

Porém, de acordo com Mandetta, Bolsonaro adotou uma postura “bem negacionista e bem raivosa”, ignorando as projeções. Mesmo depois de uma hora e meia de explanação sobre a gravidade da situação, o Presidente não estava convencido sobre o tamanho do problema.

“Ele tinha pessoas no entorno dele que mostravam outro cenário. E, como tinha uma assessoria paralela que fala o que se queria escutar, ele embarcou. Ele fez uma decisão não irracional, pensada. Ele não pode dizer ‘eu não sabia que seria assim'”, declarou Mandetta em entrevista à Folha de São Paulo, se referindo aos outros membros do governo que estavam convencidos de que Bolsonaro deveria seguir o caminho negacionista.

Presidente afasta quem não concorda com seu viés político

Ainda em entrevista para a Folha, Mandetta ainda afirmou que Bolsonaro decide as informações que ele valida, não apenas com relação à saúde, mas de forma geral.

“Ele vai afastando quem está fora do seu viés político. Não é uma característica dele se envolver com a parte técnica. Naquela época o Brasil chegou a quase zero de máscaras. Precisávamos baixar uma norma nacional para proteger o sistema de saúde. Eu tentava explicar isso, mas era sempre muito atropelado por essa certeza de que ‘preciso ver a economia’, ‘precisa voltar a andar e passar logo por isso’ (…) Ele dizia que, se o povo ficar desempregado, podia ter convulsão social, saque a supermercados. Era uma coisa nesse gênero.”

Economia e teoria da conspiração

O ex-ministro da Saúde ainda relatou que o Ministro da Economia, Paulo Guedes, estimulou o negacionismo do Presidente, apostando no conflito entre saúde e economia. Mandetta ainda relatou que quem o ajudou mesmo nesse período de ministério foi o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que mantinha um diálogo permanente com o ex-ministro.

Além disso, Mandetta também afirmou que Bolsonaro estava convencido de que o novo coronavírus faz parte de uma conspiração e que, na realidade, o vírus não passa de uma arma biológica da China para levar a esquerda de volta ao poder na América Latina.

Esses e outros episódios relacionados à gestão de Mandetta, enquanto esteve à frente do Ministério da Saúde, são relatados no livro “Um paciente chamado Brasil: Os bastidores da luta contra o coronavírus”, lançado nesta sexta-feira (25) pela Editora Objetivo.

Abaixo o vídeo Conversa com Bial:

https://youtu.be/ITZ9sHD0aXQ

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