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Objetos e ambiente não transmitem a COVID-19: diz estudo da UFOB

Pesquisa indica que objetos e o ambiente não têm um papel importante na transmissão da doença…

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Covid-19

Laboratório da Ufob | Foto: Divulgação

Um estudo coordenado pelo Prof. Dr. Jaime Henrique Amorim, biomédico e docente da Universidade Federal do Oeste da Bahia, constatou que objetos como papel moeda, máquinas de cartão e telefones celulares não atuaram na transmissão do Coronavírus causador da COVID-19. Além disto, o estudo indica que o vírus não estava presente em amostras de ar e esgoto analisadas.

O estudo

O estudo é fruto do estágio de iniciação científica de Ana Luiza Silva Rocha, graduanda no bacharelado em ciências biológicas da UFOB. Também faz parte do projeto de doutoramento de Josilene Ramos Pinheiro, pós-graduanda pela UESC. E contou com a colaboração dos professores José Domingos Santos da Silva (UFOB), Raphael Klein (UFOB) e Alexander Birbrair (UFMG) e das estudantes Thamilin Nakamura (UFOB) e Beatriz Rocha (UFMG). A pesquisa foi realizada em Barreiras, Oeste da Bahia, com o objetivo de entender se objetos inanimados e o ambiente tinham papel relevante na transmissão da COVID-19. Para isso, os pesquisadores estudaram dois locais: a região da Central de Abastecimento (Rua da Feira) e o Hospital Eurico Dutra, de junho de 2020 a maio de 2021. Foram coletadas amostras de telefones celulares, máquinas de cartão, papel moeda, frentes de máscara, atmosfera e esgoto. Ao todo, foram estudadas 418 amostras, as quais foram analisadas utilizando a avançada técnica RT-qPCR, em busca do vírus SARS-CoV-2, causador da COVID-19. Trata-se da mesma técnica utilizada como padrão ouro nos exames de COVID-19.

Resultados

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Josilene Ramos Pinheiro e Ana Luiza Silva Rocha analisando amostras coletadas na cidade de Barreiras | Foto: Divulgação

Para surpresa dos pesquisadores, não houve detecção do vírus em nenhuma das amostras analisadas. “Não houve detecção de sequer traço do vírus”, enfatiza o Prof. Raphael Klein. Por outro lado, os pesquisadores detectaram genes humanos nas amostras, o que mostra que a técnica utilizada funcionou bem. Mesmo assim, os pesquisadores desconfiaram que o clima da cidade, conhecido por altas temperaturas, baixa umidade relativa do ar e elevados índices de radiação solar, estivesse limitando a detecção do Coronavírus. Por isso, realizaram um conjunto de experimentos controlados com contaminação proposital de dois tipos de materiais; vidro e tecido, para estudarem a sensibilidade da RT-qPCR em condições que reproduzissem, experimentalmente, as altas temperaturas e baixas umidades. E de forma surpreendente, foi demonstrado que o vírus podia ser detectado mesmo com exposição a 43 °C e menos de 20% de umidade. “Com isto, foi possível entender que a técnica poderia detectar o Coronavírus mesmo nas condições climáticas de Barreiras”, diz Ana Luiza Silva Rocha, primeira autora do estudo. Os resultados indicaram, então, que o vírus não estava realmente presente nas mais de 400 amostras coletadas na cidade.

Significado

A pesquisa indica que o vírus não estava presente nos objetos ou amostras ambientais analisados. Significa que não tiveram um papel importante na transmissão da doença no período estudado. “Isto não significa que deva acontecer um relaxamento nas medidas de controle da doença, mas que esta não é a forma pela qual a mesma é transmitida”, explica Josilene Pinheiro. “Esta informação cientifica é importante porque pode nortear políticas públicas. Por exemplo, indica que não faz sentido investir em desinfecção de ruas e praças, pois a doença não é transmitida por objetos ou pelo ambiente. Seria mais vantajoso investir na distribuição de máscaras e conscientização para distanciamento físico, uma vez que a literatura mostra que a doença é transmitida principalmente por gotículas de saliva e secreção contaminadas”, considera o Prof. Jaime Henrique Amorim.

Perspectivas

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Ana Luiza Silva Rocha realizando analises laboratoriais | Foto: Divulgação

O estudo publicado deve ser o primeiro de uma série que visa entender como a COVID-19 é transmitida, para que políticas públicas eficientes possam ser formuladas. Os pesquisadores agora investigam se o Coronavírus está presente nas mãos das pessoas. E continuam investigando a possibilidade de contaminação do ar e de efluentes pelo SARS-CoV-2. “Precisamos manter um monitoramento do ambiente para sabermos quais medidas deveremos adotar”, considera o Prof. Jose Domingos da Silva. “Enquanto não tivermos a erradicação deste vírus por meio da vacinação, precisaremos ficar de olho nele”, completa o Prof. Jaime Henrique Amorim.

Publicação e financiamento

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Josilene Ramos Pinheiro (à esquerda) e Ana Luiza Silva Rocha (à direita) coletando amostras na Central de Abastecimento de Barreiras (CAB) | Foto: Divulgação

O estudo foi financiado pelo Consórcio Multifinalitário do Oeste da Bahia (CONSID), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e Instituto Serrapilheira. A publicação foi realizada na renomada revista Scientific Reports, que faz parte do grupo Nature, e encontra-se disponível por meio do link abaixo:

Objetos e o meio ambiente não tinham um importante papel na transmissão COVID-19 em uma cidade brasileira de médio porte.

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