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Escolas fechadas: Retorno das aulas presenciais em Barreiras divide pais e professores

O atual cenário preocupa pais, alunos e professores, que não querem enfrentar outro ano de ensino remoto…

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Imagem destaque: Reprodução Portal Bueno

A publicação de um decreto municipal que determinou a suspensão das aulas presenciais e o fechamento das escolas em Barreiras, reacendeu um debate que se arrasta desde meados do ano passado. Afinal, quando as escolas serão abertas? A pergunta é simples, mas a resposta divide pais, professores e especialistas.

O que diz a Sociedade Brasileira de Pediatria?

Os pais e profissionais de saúde que defendem o retorno das aulas presenciais alegam que o ensino remoto provoca vários prejuízos ao desenvolvimento intelectual, cognitivo e mental das crianças.

Diante desses danos que prejudicam o processo pedagógico de crianças, bem como dos dados sobre a infecção de COVID-19 nesse grupo, a Sociedade Brasileira de Pediatria se manifestou favorável à retomada das aulas presenciais.

Os pediatras esclarecem que as crianças representam menos de 1% da mortalidade e respondem por 2-3% do total das internações por Covid-19. Além disso, quando contaminadas, elas apresentam quadro leve ou assintomático e, por isso, são favoráveis ao retorno.

No entanto, eles ressaltam que os gestores públicos precisam assegurar que as escolas sejam preparadas para receber os alunos na pandemia e que precisam adotar protocolos de segurança adequados para esse momento de crise sanitária.

Um dos representantes do movimento Escolas Abertas de Barreiras, Thiago Quinteiro, reforçou que os pais já perceberam como a falta de convívio social e acompanhamento pedagógico impacta a saúde mental das crianças.

“O fechamento vai trazer maiores problemas para a saúde mental dessas crianças, porque são crianças que estão entrando na fase de desenvolvimento, que precisam do convívio com outras pessoas e nós já estamos há um ano fechados (…) A gente precisa que as escolas funcionem para que as pessoas percebam que lá não é foco de infecção. Tantos outros lugares já provaram que as escolas abertas não são um problema e aqui, infelizmente, no Brasil e na Bahia, a educação não é vista como prioridade”, declarou Thiago.

E os profissionais da educação?

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Manifestação realizada em frente à Câmara de Vereadores de Barreiras pelo movimento Escolas Abertas de Barreiras| Foto: Reprodução Redes Sociais

O momento também divide a opinião dos profissionais da educação da cidade. Embora seja uma unanimidade que o ensino remoto é desgastante tanto para o aluno quanto para o professor e que, por isso, todos desejam retomar as aulas presenciais o mais rápido possível, é evidente que profissionais de escolas públicas e particulares enfrentam realidades diferentes. Isso se reflete na maneira como cada grupo tem se posicionado com relação a retomada das aulas presenciais na cidade.

Como as escolas particulares têm se preparado desde o início do ano para conseguir atender sua comunidade escolar da forma correta, seguindo todos os parâmetros de segurança, os profissionais da educação que trabalham nessas unidades se mostram favoráveis ao retorno das aulas.

Por conta do acesso a essa estrutura, a suspensão das aulas presenciais apenas uma semana depois das escolas voltarem a funcionar deixou muita gente decepcionada.

A gestora administrativa da Escola Jardim Imperial, Jéssica Moraes Sampaio, relatou que a notícia da nova suspensão provocou descontentamento e frustração entre aqueles que esperam tanto tempo pelo retorno das atividades escolares.

“Foi com profundo descontentamento, sentimento de injustiça e frustração, que toda sociedade escolar (direção, coordenação, professores, colaboradores, pais, e, principalmente, os alunos) reagiu diante a nova e inesperada suspensão das aulas presencias, visto que, há quase 1 ano, aguardávamos ansiosamente por esse retorno”, protestou a gestora.

Já a Coordenadora Pedagógica do Colégio Enigma, Janaina Câmara, ressaltou as dificuldades que os professores têm enfrentado em lidar com o ensino remoto, tanto do ponto de vista técnico, quanto emocional.

“Como Coordenadora Pedagógica, posso afirmar o quanto o emocional e o psicológico dos professores está afetado. Enquanto os pais desenvolvem uma função a mais no seio familiar auxiliando os filhos neste cenário, os professores buscam se atualizarem cada vez mais no universo tecnológico com vistas a atender a necessidade do momento, não que isso não seja importante, mas a dinâmica de se mostrar frente às câmeras e lidar com profissionalismo neste universo é, no mínimo intimidador”, relatou Janaina.

Em contrapartida, apesar de também enfrentarem o desafio do ensino remoto, os professores das escolas públicas alegam que as unidades escolares municipais não foram devidamente estruturadas para receber estudantes e docentes, o que poderia colocar em risco a vida de todos que precisam frequentar esses locais.

De acordo com comunicado divulgado no blog do Sinprofe, problemas como salas de aulas pequenas, sem ventilação e número insuficientes de banheiros, estão entre os fatores que podem facilitar a propagação da COVID-19 nas escolas públicas. Por isso, esses profissionais preferem continuar a ministrar aulas na modalidade online até que ocorra a vacinação contra a COVID-19.

Escolas particulares estão falindo

Outro ponto que tem preocupado pais, professores e gestores educacionais é que algumas escolas de Barreiras têm enfrentado graves dificuldades financeiras. De acordo com Thiago Quinteiro, até o momento, três escolas da cidade já fecharam e outras podem seguir o mesmo caminho se o cenário não mudar.

“Nós já tivemos 3 escolas que fecharam no início do ano. Das 45 escolas privadas, 15 podem fechar até o final de março se nada for feito. A educação infantil é a que mais sofre, porque ela praticamente não tem obrigação curricular. Então os profissionais dessas áreas vão ser os primeiros a ser demitidos”, destacou Thiago.

E esse cenário contribui ainda mais para aumentar o medo e a ansiedade dos profissionais da educação que trabalham nessas unidades privadas, como lembra a gestora Jéssica Sampaio. De acordo com a gestora, professores e colabores ficam inseguros em relação a manutenção dos seus empregos, já que a escola enfrenta déficit financeiro.

Quais são os planos para o futuro?

A professora Cássia Marques chama a atenção para um fato que tem incomodado muitos pais e docentes – a falta de perspectivas para o futuro.

Ela ressalta que após um ano de ensino remoto, não foram apresentadas propostas e alternativas que facilitassem o processo pedagógico dos estudantes, que ainda sentem dificuldade em lidar com as aulas remotas, além do fato dos próprios professores enfrentarem dificuldades no trabalho online.

“Depois de um ano, se não dá para voltar, precisa melhorar as aulas remotas”, ressaltou Cássia.

Está na hora de voltar?

A suspensão das aulas presenciais em Barreiras ocorreu em função da determinação do Ministério Público Estadual. O aumento do número de casos de COVID-19 na Bahia, que tem levado ao esgotamento de leitos de UTI disponíveis para pacientes contaminados com a doença, contribuiu com a decisão.

Apesar dos municípios da Região Oeste ainda não apresentarem as mesmas taxas de contaminação e óbitos observados em outras partes do estado, a descoberta de uma nova variante de COVID-19 na região, que é mais transmissível, acende o sinal de alerta e indica que as políticas públicas referentes não apenas a educação, mas também ao funcionamento de toda a cidade precisa ser acompanhada com cuidado.

Para Franciney Sardeiro, ex-secretário de educação de Barreiras, e que entende o momento que pais e alunos estão enfrentando, o momento é de priorizar a saúde coletiva.

“Entendo que muitas escolas privadas não têm tido o lucro suficiente para cumprir com as obrigações trabalhistas e ter um capital de sobra para a manutenção do status. Porém não podem desprezar a importância da vida e da saúde pública em prol de interesses individuais”, reforçou Franciney.

Enquanto as autoridades não chegam a um consenso, pais, alunos e professores aguardam ansiosamente para saber qual será o rumo da educação na cidade.

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