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Educação

Qual o papel da escola diante da realidade vivida hoje pelos jovens de Barreiras?

Como a escola pode contribuir para melhorar a saúde mental dos jovens e adolescentes barreirenses?

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Saúde Mental

Imagem ilustrativa | Foto: Reprodução Portal Pnad

O papel da escola na formação do cidadão é essencial para o bom funcionamento da sociedade. De todo educador e de toda instituição da Educação Básica é esperada atenção especial a esse propósito social e, principalmente após a aprovação da Base Nacional Comum Curricular BNCC, esse princípio deve nortear cada etapa do processo de aprendizagem. Formar jovens críticos, capazes de refletir sobre a realidade e nela atuarem, valorizar a vida, a cultura e os estudos como ferramentas do desenvolvimento individual e coletivo. Tudo isso é formação de valores e esse é o principal ponto na educação de crianças e adolescentes.

A adolescência caracteriza-se por alterações em diversos níveis — físico, mental e social — e representa para o indivíduo um processo de distanciamento de formas de comportamento e privilégios típicos da infância e de aquisição de características e competências que o capacitem a assumir os deveres e papéis sociais do adulto.

Essa fase tem início quando uma parte do cérebro, o hipotálamo, ativa as glândulas hipófise e gônadas, que, entre outras coisas, liberam hormônios sexuais. Ela costumava acontecer por volta dos 14 anos, mas caiu gradualmente no mundo desenvolvido nas últimas décadas até o patamar de 10 anos.  

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Foto: Reprodução UOL

Nesse período, os jovens enfrentam muitos problemas e crises de identidade, necessitando, assim, de atenção especial por parte da família e da escola, que muitas vezes não estão atentas aos sinais de perigo emitidos por eles.

De acordo com o adolescente N.L.S., de 16 anos, muitas vezes eles precisam apenas ser ouvidos, se sentir seguros e saber que tem alguém em quem se apoiar. “A sensação de vazio e angústia, como se estivesse em um buraco sem saída é apavorante. O medo do futuro, a tristeza causada muitas vezes por situações vividas com a família ou na escola, as primeiras decepções e as frustrações são sentidas com muita intensidade. Neste momento, só sentimos vontade de morrer”, relata o jovem.

Ainda segundo ele, “muitas vezes, passei a noite acordado conversando no WhatsApp com amigas em estado de desespero, principalmente agora na pandemia, com depressão e crises de ansiedade, e só em conversar, desabafar sobre nossas angústias nos ajudava a suportar aquela dor tão intensa que parecia não ter solução”.

Nesse contexto, a escola tem um papel fundamental para o desenvolvimento e manutenção de hábitos sociais e emocionais importantes para o bem-estar mental dos jovens e adolescentes. Estes incluem o incentivo a adoção de padrões de sono saudáveis; exercícios regulares; desenvolvimento de enfrentamento, resolução de problemas e habilidades interpessoais; e aprender a administrar emoções. Ambientes de apoio na escola e na comunidade em geral também são importantes.

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Foto: Reprodução Blog Leiturinha

Estar em sala de aula em contato com diversas crianças e adolescentes, possibilita aos professores a oportunidade de identificar comportamentos “desajustados” como consequências de problemas emocionais, e que podem ser identificados precocemente, mesmo antes da família, alertando-os e encaminhando-os para atendimento profissional!

A escola exerce um papel fundamental na promoção, prevenção e no processo de diagnóstico, devendo realizar ações em saúde mental, proporcionando aos alunos informações sobre o tema e o desenvolvimento de habilidades pessoais e sociais que pode auxiliá-los na busca por hábitos saudáveis.

De acordo com Fabíola Vian Bomfim, especialista em Psicologia Clínica, que atua como Psicóloga Clínica na Respirare Clínica Integrada e Psicóloga Escolar no Colégio Adventista de Barreiras, Falar sobre essa temática diminui o estigma e estimula a procura espontânea por ajuda quando necessário!”  Segundo ela, os professores, além das dificuldades de aprendizagem, devem observar mais atentamente as alterações no comportamento dos alunos, e estimulá-los a se expressarem de forma acolhedora e respeitosa.

“Informe, acolha, escute, mostre-se aberto a ouvir, sem julgamentos. Procure conhecer os serviços de saúde mental da cidade, e encaminhe. Oriente aos pais e/ou responsáveis para que procurem ajuda profissional. Trabalhar a saúde mental na escola é uma forma de promovê-la e prevenir transtornos mentais, pois todos estamos suscetíveis a um desequilíbrio mental, inclusive crianças e adolescentes, bem como a equipe escolar”, Afirma Fabíola.

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Foto: Reprodução Family Center

Atualmente, muitos fatores têm influenciado de forma negativa para o desenvolvimento da saúde mental dos jovens e adolescentes de Barreiras

. Com o isolamento social provocado pela pandemia, muitos jovens e adolescentes ficaram ainda mais expostos aos fatores de risco, o que provocou grande impacto na saúde mental e emocional destes jovens.

A influência da mídia, o desejo de uma maior autonomia, pressão da família, exploração da identidade sexual e maior acesso e uso de tecnologias foram cruciais para o surgimento de diversos transtornos emocionais nessa faixa etária.

Outros fatores determinantes foram a qualidade de vida em casa e suas relações com seus familiares. Violência (incluindo pais severos e bullying) e problemas socioeconômicos são reconhecidos riscos à saúde mental. Crianças e adolescentes são especialmente vulneráveis à violência sexual, que tem uma associação clara com a saúde mental prejudicada.

Segundo dados do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA), 30% dos adolescentes brasileiros sofrem de transtornos mentais comuns, caracterizados por dificuldade para dormir e se concentrar, tristeza constante, falta de disposição para realizar tarefas diárias, entre outros sintomas. Quando não tratados, esses quadros podem evoluir para problemas mais graves, como depressão, ansiedade e abuso de drogas.

Em Barreiras, o número elevado de transtornos psicológicos entre os adolescentes e a gravidade com que esses problemas emocionais têm atingido essa faixa etária, levando-os a cometer atitudes extremas deve servir de alerta para a necessidade de se discutir e enfrentar essa realidade que atinge milhões de pessoas no mundo. Nesse sentido, a escola tem um papel primordial na articulação de ações voltadas para a prevenção e a promoção da saúde mental desses jovens.

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Foto: Reprodução CUF

A capacitação de professores em saúde mental na adolescência é o ponto de partida para que as escolas consigam abordar esse tema em sala de aula e criar projetos para o desenvolvimento integral dos jovens, focando não só em suas habilidades intelectuais, mas também emocionais e sociais.

Além disso, esse tipo de ação permite que os educadores conheçam alguns sintomas característicos de transtornos mentais e identifiquem adolescentes que estejam sofrendo com esse tipo de problema, o que facilita o encaminhamento e o tratamento precoces.

Vale lembrar que a construção da identidade e a socialização são traços marcantes da adolescência e acontecem principalmente na escola, onde há uma interação diária entre alunos e professores com diferentes histórias de vida e personalidades.

Nesse ambiente, também são recorrentes relatos de jovens que vivem situações de conflito, preconceito, discriminação, entre outros problemas que afetam o clima escolar e sua saúde mental.

Desse modo, é muito importante tornar o espaço escolar mais acolhedor. Atitudes simples como chamar os estudantes e seus familiares pelos nomes e recepcioná-los na portaria da escola, manter um diálogo saudável, ouvir com atenção as observações e opiniões de todos e ficar atentos às mudanças de comportamento trazem resultados satisfatórios.

Conversar abertamente com os jovens e adolescentes sobre suas angústias também pode ajudar. Ter um momento para escuta sensível na escola, conduzi-los a falar sobre seus pensamentos, seus sentimentos e situações angustiantes e apoiá-los, são ações que a escola pode desenvolver para melhorar a saúde emocional dos jovens e adolescentes.

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