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Educação

O avanço de série de alunos não alfabetizados é um problema em Barreiras

O Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda que escolas públicas e privadas evitem a reprovação dos estudantes por causa da pandemia

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Imagem meramente ilustrativa | Foto: Reprodução Eleva Plataforma de Ensino

As últimas décadas representaram tempos de intensas mudanças na educação brasileira, inclusive no processo de alfabetização, a contar que se antes a criança entrava na escola aos sete anos de idade, cursando já a primeira série, e tinha nos dois primeiros anos de estudo o foco na aquisição da leitura e escrita. Desde 1996, ano em que a Lei de Diretrizes e Bases da educação básica (LDB) vigorou a proibição da reprovação escolar em anos de alfabetização, o assunto “retenção” tem sido pauta de discussões contra e a favor nas diversas instituições de ensino.

Em 2021, O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou um parecer que recomendava que escolas públicas e privadas evitassem a reprovação dos estudantes por causa da pandemia. De acordo com o documento, um dos pontos mais importantes para a reorganização dos calendários escolares e planejamento curricular em 2020 e a 2021 era a revisão dos critérios adotados nos processos de avaliação “com o objetivo de evitar o aumento da reprovação e do abandono escolar na educação básica”.

Com isso, em muitas escolas de Barreiras, vários alunos foram aprovados para a série seguinte com o nível de leitura e escrita muito abaixo do necessário para a série, gerando uma série de desafios tanto para os professores quanto para os alunos no ano letivo de 2022. Professores têm se deparado com alunos que não foram alfabetizados e estão matriculados em série que exigem um nível de conhecimento muito mais elevado.

Vale lembrar que o Brasil já vinha apresentando números não positivos quando se fala em alfabetização, etapa conhecida como o “coração do ensino”

. Os índices mais recentes preocupam: 60% dos alunos concluintes do 3º ano do Ensino Fundamental estão em níveis insuficientes de leitura, 33% em níveis insuficientes em escrita e 54% têm insuficiência em matemática.

O mais preocupante de tudo isso é que muitos alunos em “níveis insuficientes” foram aprovados por causa dos efeitos da Pandemia de Covid-19, gerando graves problemas para a educação.

Em entrevista à Gazeta do Povo, Ana Luiza Navas, fonoaudióloga especialista em distúrbios da leitura e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, em São Paulo, comenta sobre as “vítimas” de processos inadequados de alfabetização.

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Foto: Reprodução Veja

“Há crianças que chegam até a idade de 11 anos sem estar alfabetizadas. E descobrimos que, na verdade, elas têm dificuldade porque nunca foram ensinadas adequadamente. Mas há outras – uma parcela pequena – que realmente têm uma dificuldade intrínseca, neurológica, que dificulta o aprendizado”.

Isso significa que em 2022, o grande desafio dos educadores será de criar um sistema sólido de alfabetização com diferentes metodologias para que as crianças e jovens recuperem essas perdas, evitando assim o desenvolvimento futuro de transtornos e disfunções da aprendizagem.

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