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Comportamento

Jovens são foco principal das organizações que trabalham com temas do movimento negro

Em mapeamento de organizações de e para juventudes negras no Brasil, estudo do Itaú Social e do Observatório de Favelas revela o protagonismo das entidades. Também em pauta, os desafios para sua sustentabilidade

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Ana Claudia Bellintane | Tamer

Os jovens são protagonistas nas organizações que trabalham com temas do movimento negro. Segundo a Pesquisa Nacional sobre Organizações de Juventudes Negras, a juventude é o foco exclusivo das atividades de 70% das instituições pesquisadas, sendo que a grande maioria delas, 92%, possui jovens de até 29 anos entre seus colaboradores.

Realizado pelo Itaú Social em parceria com o Observatório de Favelas, o estudo partiu de um mapeamento inicial de 200 entidades do movimento negro, que evidenciou a predominância das ações para jovens. Em seguida, a equipe de pesquisa desenhou um perfil das organizações de juventudes negras, usando como base informações detalhadas fornecidas por 40 Organizações da Sociedade Civil (OSCs), responsáveis por 63 projetos.

Com localização concentrada nas regiões Nordeste (37,5%) e Sudeste (30%) – seguidas por Norte, Sul e Centro-Oeste -, as organizações apresentam escopo variado de atuação. Os temas mais prevalentes são arte e cultura (33%), direitos humanos (27%), educação (27%) e gênero (21%).

“É uma juventude extremamente propositiva, que pauta e reivindica sua visibilidade nos espaços público, político e de aprendizagem. E que está constantemente buscando novas maneiras de somar forças para o enfrentamento das desigualdades”, explica Juliana Yade, especialista em educação do Itaú Social e uma das coordenadoras da pesquisa.

O estudo evidenciou, ainda, um cenário incerto para a manutenção das organizações. O principal gargalo é o financiamento, intermitente e efêmero, fazendo da captação uma tarefa árdua sobretudo em organizações com poucos colaboradores (78% delas têm no máximo 30 integrantes). “A maioria das OSCs depende de projetos que, em geral, duram 12 meses. São poucos os que recebem apoio institucional”, afirma Juliana.

Num cenário de crise, ganham espaço soluções colaborativas como as parcerias – compartilhamento de espaço, serviços e metodologias com outras entidades sem envolver recurso financeiro. “Atualmente, 28 dos 63 projetos participantes só se viabilizam por meio de parcerias sem qualquer recurso financeiro, o que traz desafios para sua implementação e continuidade”, diz a pesquisadora.

Diante do desafio que é incidir sobre políticas públicas, as organizações de juventudes negras traçam novos caminhos para reverberar suas agendas. Fóruns de representação, parcerias com movimentos sociais e redes de articulação são alguns dos caminhos citados pelas organizações. “Reconhecer a importância e também as dificuldades desse movimento é um caminho para entender e apoiar iniciativas que dialoguem com a equidade étnico-racial”, finaliza Juliana.

Principais números do estudo:

  • 40 instituições entrevistadas;
  • 63 projetos avaliados;
  • 70% produz projetos exclusivos para a juventude;
  • 33% trabalham com artes e cultura;
  • 62% estão no Nordeste e Sudeste;
  • 92% possuem colaboradores de até 29 anos;
  • 70% dependem de parcerias para sobreviver.

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