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Virando Páginas

Todos nós precisamos de algo doce

Mergulhe de cabeça nesse vasto, misterioso e intrigante universo da leitura. Luara Batalha, neste artigo, nos faz amar as páginas de “Loucamente Apaixonada na Livraria dos Corações Solitários”…

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Loucamente Apaixonada na Livraria dos Corações Solitários

Luara Batalha

Um local no qual eu não canso de bater perna é a livraria. Adoro passear pelos corredores vendo os títulos, os autores e escolhendo as próximas obras que lerei. Sempre abro alguns livros, vejo o estilo da escrita – foco principalmente no diálogo – e cheiro as páginas. Esta última ação pode soar estranha, mas garanto que é algo bastante comum entre aqueles que leem muito.

Um dos meus desejos ainda não realizados é me ver vinculada a um ambiente rodeado de livros, como acontece com Nina, a protagonista do romance Loucamente Apaixonada na Livraria dos Corações Solitários, escrito por Annie Darling. Com trinta anos, solteira e sem planos para um futuro próximo, ela mora e trabalha na livraria Felizes Para Sempre. E sim, concordo que tanto o título da obra quanto o nome do ambiente fictício são romance puro, então não é de se espantar estarmos falando de um enredo estilo comédia romântica da Sessão da Tarde.

Loucamente Apaixonada na Livraria dos Corações Solitários

Nina ainda não se encontrou na vida e leva seus dias revezando seu tempo entre o trabalho como vendedora e visitas ao pub, com paradas regulares em encontros casuais. Coincidentemente, quando ela se cansa desse estilo de vida e busca com mais afinco o seu Heathcliff (já volto para ele), Noah, um nerd bonitão, começa a realizar uma consultoria na livraria com o objetivo de tornar o negócio mais rentável. Os dois não se dão bem de início, então acredito que não preciso nem dizer o que vem na sequência.

Apesar de amar romances e reconhecer o valor da obra de Emily Brontë, necessito problematizar: o protagonista de O Morro dos Ventos Uivantes, o tal Heatcliff, possui sérios problemas, então me chocou essa escolha da autora por romantizar um homem conhecido no mundo literário pelos seus rompantes de violência, ciúmes e incapacidade de se relacionar com pessoas. Imagino que ela tenha optado por esse caminho para criar uma oposição clara entre o tipo de amor doentio a lá Heatcliff

e um saudável, nutrido e reconhecido ao longo do livro. Contudo, romantizar o título é até uma jogada de marketing, por já atrair o público que consome esse tipo de história, mas romantizar problema é algo controverso.

Outro ponto questionável é o vestuário de Nina. Em diversos momentos da história é repetido que a protagonista aprecia o estilo vintage, porém, para mim, ela acabou se tornando uma caricatura que, somente nas últimas páginas, mostra que as diversas camadas de maquiagem são uma defesa. Este tema poderia ter sido abordado desde o início da narrativa, de forma contínua, e não como algo banal pincelado nos últimos capítulos do texto. É um assunto muito rico para ser resumido a uma fala de um personagem.

Longe de ser um livro inesquecível, esta obra entrega o que promete: um romance “água com açúcar”, em que torcemos para que o casal, que se detesta nas primeiras páginas, se resolva até o fim da última linha. Apesar dos pontos negativos que trouxe, ainda recomendo a leitura? Sim! Todos nós precisamos de algo doce de vez em quando.

Luara Batalha
Baiana com mais de 10 livros publicados em sua área, Luara Batalha é engenheira civil, mestre em engenharia de estruturas e atua com ensino e pesquisa. Sempre dedicou parte do seu tempo a expressões artísticas e desde cedo se descobriu uma leitora voraz, mergulhando em obras de diversos estilos. Apaixonada pelas letras, teve seu conto “Invasão de território” publicado na antologia Soteropolitanos e atualmente trabalha no seu primeiro romance.

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