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Sobre o Natal: a festa que forma laços

Natal sempre foi uma das minhas datas preferidas do ano. Sou, literalmente, “a louca do Natal”, Luara Batalha

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Luara Balha

Para alguns, o Natal é uma festividade melancólica, talvez por contas das músicas natalinas ou pela proximidade do fim do ano – a vida mantendo sua rotina sem alterações. Nesse período, muitas vezes, fazemos uma retrospectiva e pode ser lastimoso perceber que, depois de 365 dias, repetimos o padrão – erros e acertos – do ano anterior.

Entretanto, Natal sempre foi uma das minhas datas preferidas do ano. Sou, literalmente, “a louca do Natal”: enfeites natalinos espalhados pela minha casa, pela minha sala do trabalho, Papai Noel e mensagens de Feliz Natal penduradas nas portas dos ambientes que posso decorar; assisto todos os filmes de natal que a Netflix libera nesse período – apesar das histórias serem muito similares e merecedoras de críticas quanto ao papel da mulher nelas; adoro as músicas natalinas, o vermelho e o verde juntos, os pisca-piscas e a comida.

Na verdade, o que mais gosto desse período é o momento com a família. Desde criança, a festa de Natal é passada em família, com bastante gente, gritaria e presentes. E, claro, com o bando dos primos o Natal não poderia ser “somente” uma ceia, era preciso fazer folia. Sempre organizávamos apresentações, desde coral natalino até performances de músicas de Madonna, obrigando os adultos a assistir nosso espetáculo, prestar atenção e – óbvio – dizer que estava lindo.

Uma tradição que ainda perdura é o “cantar presentes”. Nos reuníamos em volta da árvore – gigante ao meu olhar infantil – e acompanhávamos a seleção e entrega dos presentes, um por um, com a obrigatoriedade de se ir para a frente de todos receber o embrulho tão esperado das mãos daqueles que presenteavam. Como precisávamos esperar a chegada de todo mundo para começar a distribuição dos presentes, ficávamos ansiosos e irritados com o atraso constante do locutor do ápice das nossas festas. Não que tivesse um horário fixo, mas a vontade de brincar com os presentes era muito maior do que a nossa compreensão sobre a vida adulta.

Ao chegar em casa ainda esperava a passagem do Papai Noel. Lembro de um dia específico em que meu pai bebeu o leite, comeu o biscoito e marcou a poltrona com uma bota suja, simulando a passagem do bom velhinho. Eu, já adolescente, questionei minha sanidade e me perguntei se ele realmente não existia. Por um segundo acreditei e me senti naqueles filmes que tanto assisto – até ver a nota de troca do presente no nome de minha mãe. Ainda assim, trouxe essa prática para minha casa, onde Papai Noel sempre nos visita.

Sei que hoje muitos pais optam por não perpetuar a lenda do Papai Noel, como uma forma de serem honestos desde cedo com as crianças. Não tenho filhos, então não me sinto confortável em opinar sobre este quesito da educação infantil, mas posso garantir que não me causou nenhum trauma saber que ele não existe, na verdade, nem lembro como ocorreu esta descoberta. Para mim, as lembranças dele são sempre positivas.

Isso também se reflete na minha escrita. São diversos os concursos literários cujo tema é terror ou drama no Natal, ou qualquer coisa negativa ocorrendo nessa data. Acho interessante, acredito até que deve estimular a criatividade, mas nunca consegui conceber uma história em que o Natal estivesse relacionado a algo ruim. Como acontece na vida, já vivenciamos nossa parcela de tristeza na véspera de Natal, mas exatamente pelo vínculo conseguimos ressignificar a lembrança difícil, apesar da saudade que ainda existe.

Para mim, isso é o Natal. Independente das noções religiosas ligadas a data, vejo este dia como um momento de celebração ao amor e a família. O reencontro do bando, o reforço dos laços.

Luara Batalha
Baiana com mais de 10 livros publicados em sua área, Luara Batalha é engenheira civil, mestre em engenharia de estruturas e atua com ensino e pesquisa. Sempre dedicou parte do seu tempo a expressões artísticas e desde cedo se descobriu uma leitora voraz, mergulhando em obras de diversos estilos. Apaixonada pelas letras, teve seu conto “Invasão de território” publicado na antologia Soteropolitanos e atualmente trabalha no seu primeiro romance.

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