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Gêneros literários: a rotulação das histórias

Coluna de Luara Batalha, engenheira civil, mestre em engenharia de estruturas, atuante em ensino e pesquisa, dedicada às expressões artísticas, leitora voraz, apaixonada pelas letras, teve seu conto “Invasão de território” publicado na antologia Soteropolitanos e atualmente trabalha no seu primeiro romance

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Luara Batalha

Num bate papo recente sobre literatura¹, me perguntaram quais autores eu percebia refletidos na minha escrita. Pensei bastante e não consegui chegar à uma conclusão. Consigo nomear alguns dos quais gosto bastante, seja pelo uso da terceira pessoa, seja pelos diálogos rápidos e bem construídos, mas acho que ainda estou criando meu estilo próprio. Óbvio que vejo alguns escritores como referência, mas não os reconheço de forma nítida no meu trabalho.

Já uma outra pergunta que eu soube responder rapidamente foi sobre gênero literário. Muitos podem não conseguir determinar qual a sua preferência, mas para mim esta resposta é clara: romance histórico. Primeiro preciso esclarecer que romance não significa que seja romântico, mas sim uma obra com início, meio e fim, com conflitos e diversos personagens. Neste caso, todo o enredo se desenrola misturando personagens reais com fictícios, geralmente ambientado em momentos conhecidos da história humana.

Descobri esse gênero na adolescência, no mesmo período em que me apaixonei pelo Egito. A primeira grande figura que conheci foi Ramsés, através dos cinco volumes da série homônima escrita por Christian Jacq. Longe se de assemelhar aos livros convencionais de história, com um relato frio e cru dos fatos, este romance histórico nos transporta para o Egito e nos apresenta o pequeno Ramsés. Acompanhamos seu amadurecimento, seus amores e conflitos internos; sua posse como faraó, as guerras que seu reino viveu, a fuga de Moisés e o êxodo hebreu; e, por fim a sua morte.

Pode ser que ainda assim não esteja claro o que tanto gosto nesse gênero de livro, mas acredito que consigo acabar com sua dúvida com uma única frase: para mim, romance histórico humaniza a própria história. Deixamos de ver, por exemplo, Ramsés como faraó, e compreendemos as suas angústias, seus traumas, seus defeitos e qualidades – e o mesmo serve para todos os outros personagens. Não que esse conhecimento sobre o que está por trás do mito nos faça justificar seus comportamentos, longe disso, mas compreendemos também a sociedade e a cultura daquela época, o que permite um entendimento mais aprofundado da conjuntura social e até econômica do período.

Não discordo que todos os diálogos e diversos dos conflitos são cem por cento ficcionais, mas existe um trabalho árduo de pesquisa durante o desenvolvimento dos livros. Autores desse gênero literário passam bastante tempo estudando a época tema das suas obras para que possam narrar os fatos da forma mais crível e próxima da realidade possível. Algumas vezes até o protagonista é fictício, mas assim foi criado para que pudesse circular por diversos ambientes e períodos, amarrando a história, fugindo, exatamente, do relato desprovido de sentimento.

Com um salto secular, uma outra obra prima do gênero é a série literária O Conquistador, também composta de cinco volumes e escrita por Conn Iggulden. Nela acompanhamos o jovem Temujin, cuja família foi expulsa da tribo após a morte de seu pai, que era o chefe. Apesar da vida sofrida, se tornou um líder e passou a ter diversos seguidores, conseguindo subjugar as demais tribos e unir seu povo. O então Temujin adotou um nome conhecido até hoje, Gêngis Khan. Se o autor tivesse somente elencado os acontecimentos, ao invés de romanceá-los, eu não teria feito passeios a cavalo pela planície da Mongólia, nem conhecido as artimanhas da guerra ou muito menos ter me tornado amiga de Kublai Khan, o neto de Gêngis.

Apesar de todos os argumentos que uso aqui, durante a tal entrevista não entrei nesses pormenores nem defendi a causa, fiquei a observar como as demais convidadas citavam outros gêneros literários e autores desconhecidos para mim. Curiosa que sou, buscarei essas novas leituras, afinal, independentemente do estilo da escrita, o que marca é a conversa que temos com as páginas, individual e sem rótulos.

[1] Live no canal Filtro de Barro com algumas das autoras participantes da antologia Soteropolitanos. https://www.youtube.com/watch?v=_9RT7-MD4y4

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