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Contos da vida

Coluna de Luara Batalha, engenheira civil, mestre em engenharia de estruturas, atuante em ensino e pesquisa, dedicada às expressões artísticas, leitora voraz, apaixonada pelas letras, teve seu conto “Invasão de território” publicado na antologia Soteropolitanos e atualmente trabalha no seu primeiro romance

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Luara Batalha

Como nem só de crônicas vive uma escritora, contos me permitem criar personagens e pequenas histórias. Como fotografias, são recortes de momentos, com início, meio e fim. O curioso é que comecei a escrever contos por achar que seriam mais fáceis de terminar do que romances, mas acaba que levo dias pensando na trama e em como posso desenvolver algo interessante em poucas linhas. As inspirações surgem de locais diversos. Já escrevi contos sobre situações familiares, alunos procrastinando os estudos, carnaval e até sobre uma aula de bike.

Vários são os concursos literários para a formação de coletânea de contos, e participo deles com frequência. O resultado nunca é claro, o que é esperado, já que textos nos tocam de uma forma individual. Como nem sempre é fácil acertar um tom que agrade a um público desconhecido, como as bancas de concurso ou leitores virtuais, antes de enviar qualquer trabalho, submeto ele ao crivo de leitores beta, que nada mais são do que pessoas com experiências de vida diferentes e, consequentemente, visão social diversificada. É bastante interessante como cada um faz comentários distintos sobre o que leu, desde sugestões para aprofundamento do tema a perguntas relacionadas ao ambiente.

Como dizem que para escrever bem, é preciso ler muito, nada melhor do que um livro só de contos para aprender mais sobre eles. Seria uma falácia dizer que gosto sempre de todos os textos desses livros, claro que vez ou outra um foge da minha compreensão, mas o processo de entender qual o tipo de conto que melhor se adequa ao meu paladar literário faz parte do meu amadurecimento como escritora.

Uma das obras que li nessa busca pelo aperfeiçoamento foi Intérprete dos Males, de Jhumpa Lahiri, uma coletânea de contos que traz a cultura indiana em sua essência, com histórias do cotidiano e ambientes reais. Cada um dos dez contos tem personagens distintos, com anseios diferentes, mas com alguma ligação com imigrantes, – parcela da população mundial muitas vezes não ouvida – com isso tem-se um prato cheio de diversidade.

Outra possibilidade para conhecer mais sobre contos, que abarca autores e estilos diversificados, é se entregar a antologias, que são coletâneas de textos escritos por várias pessoas, mas que, geralmente, possuem um tema em comum. Em Soteropolitanos, uma antologia escrita por baianos experientes e estreantes, temos como convergência a cidade de Salvador, seja como o local onde ocorrem as histórias, seja como bagagem dos autores. Os contos desse livro passeiam pelas lembranças de escola, pelo fim do primeiro amor, nos apresentam os pensamentos de um cãozinho e até o som da batida das asas dos pássaros.

Me orgulho bastante de fazer parte dessa antologia e, mesmo que negue, – nisso acho que falo por todos os escritores – ter textos publicados, não importa onde, traz a confiança inerente a validação. Em formato de crônicas, contos ou romances, na Índia ou no Brasil – de preferência de lá até aqui – o que mais queremos é que as nossas histórias ganhem o mundo e que nossos personagens saiam das nossas linhas para o imaginário popular. Afinal, não há nada pior do que uma história não contada.

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