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A página em branco você já tem

Artigo de Luara Batalha, baiana com mais de 10 livros publicados e atualmente trabalha no seu primeiro romance…

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Luara Batalha

Assisti a uma entrevista de meu autor favorito, Bernard Cornwell, em que ele disse que não existe crise da página em branco. De acordo com ele, no dia que uma enfermeira puder ligar para o hospital e dizer que não vai trabalhar porque está tendo uma “crise sobre como ser enfermeira”, ele se permitirá não escrever um dia. No caso, faltará ao trabalho, que é a sua escrita; olhará horas para uma página em branco e não escreverá nada.

Longe de mim querer me comparar a um escritor excepcional e brilhante como ele, mas preciso discordar de sua ideia. Eu sofro com a página em branco. Por exemplo, escrevi e apaguei umas quatro folhas antes de efetivamente terminar a coluna dessa semana, ou seja, sofro com essas crises. Com o tempo, percebi que preciso deixar a mente descansar ao invés de insistir, então paro e retomo o trabalho horas ou dias depois.

Conversei sobre esse medo da página em branco com uma outra escritora, com bem mais anos de carreira que eu, e percebemos como são numerosos os relatos sobre a dificuldade em se querer contar uma história e não saber como começar. Contudo, o efeito desse contratempo é mais significativo para os iniciantes, visto que a página em branco traz medo e insegurança.

Conheço pessoas que possuem escritores guardados dentro de si e que ainda não venceram o medo de começar. A questão é que, assim como em qualquer profissão, é preciso praticar constantemente para se obter resultados de qualidade e compreender o seu processo de escrita. A insegurança sempre está presente, mesmo quando se é experiente, então o ideal é buscar se aprimorar e reconhecer o método que funciona para você. Um livro que pode ajudar bastante no ganho de confiança é o Escrever Ficção do Assis Brasil. Longe de ser um guia mágico, a obra apresenta técnicas que auxiliam no que todo escritor quer: manter o leitor interessado da primeira à última página.

Com exemplos reais, Assis Brasil nos conduz por caminhos que levam a um texto mais interessante, passando por personagens inesquecíveis, enredos instigantes e capítulos coerentes. A didática proveniente da experiência de anos como professor de escrita permitiu que o livro se assemelhasse a uma aula leve, só que através das páginas, e nos faz repensar a forma que escrevemos. Essa leitura me auxiliou bastante na construção de textos ficcionais e na atenção que dedico a minha leitura. Comecei, a partir dele, a ler como escritora, avaliando se as dicas que ele trouxe estão aplicadas no que estou lendo e observando o que considerei interessante para trazer para a minha escrita.

Então, para você que sempre achou que só escreve bem quem tem o dom, sinto informar que isso é fake news. É preciso dedicação, constância e estudo, assim como em qualquer área. Já para os que querem escrever, só tenho uma coisa a dizer: comecem! A página em branco você já tem, agora é só preencher…

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Luara Batalha
Baiana com mais de 10 livros publicados em sua área, Luara Batalha é engenheira civil, mestre em engenharia de estruturas e atua com ensino e pesquisa. Sempre dedicou parte do seu tempo a expressões artísticas e desde cedo se descobriu uma leitora voraz, mergulhando em obras de diversos estilos. Apaixonada pelas letras, teve seu conto “Invasão de território” publicado na antologia Soteropolitanos e atualmente trabalha no seu primeiro romance.

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