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Psicologia Cotidiana

Setembro Verde

A campanha Setembro Verde é voltada para a inclusão e acessibilidade das pessoas com Deficiência…

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Setembro Verde

Giovana Leite

No dia 21 de setembro, é comemorado o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência. A campanha setembro verde, escolhida justamente no mês que comtempla a data, reforça a importância da acessibilidade e da inclusão da pessoa com deficiência na sociedade. A data foi oficializada no Brasil pela lei nº11.333 em 14 de julho de 2005. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) o Brasil possui mais de 17 milhões de pessoas com deficiência, apontando 8,4% da população, representando um número de 17,3% milhões de pessoas com algum tipo de deficiência.

Existem diversos tipos de deficiência, segundo a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) podendo ser entre elas física, intelectual, mental ou sensorial, o que pode acarretar dificuldades ao enfrentar barreiras dentro da sociedade quando esta não se atenta para as medidas necessárias e políticas de inclusão e acessibilidade. Estado, instituições e sociedade, tem o dever de promover ações que busquem atingir tais parâmetros, além da promoção da valorização da pessoa com deficiência como cidadão ou cidadã, respeitando sempre suas especificidades. Falar sobre inclusão, tornar conhecido e partilhar conhecimento adequado para a população sobre o tema, é um dos primeiros passos para se pensar e construir uma sociedade mais justa e inclusiva, na qual todos podem ir e vir sem maiores barreiras de restrição comunicacionais e físicas, por exemplo.

Para além dos espaços sociais e institucionais, há ainda a questão do mercado de trabalho. O levantamento do IBGE aponta que a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, ainda não é o ideal a ser atingido. Em dados numéricos, 28,3% das pessoas com deficiência acima de quatorze anos de idade estão dentro do mercado de trabalho brasileiro. Quando comparado a pessoas sem deficiência, o índice sobre para 66,3%. Estes dados mostram em um panorama mais amplo aquilo que precisa ser trabalhado com mais ênfase no nosso país. Começando em pequenos passos, vou listar aqui algumas expressões capacitistas para serem excluídas no nosso vocabulário social e interpessoal. Capacitismo é o nome dado ao ato de discriminar pessoas com deficiência (PCD) com um olhar de superioridade, ou como se essas pessoas tivessem menor valor social dentro da sociedade. Usar termos capacitistas é desvalorizar e desrespeitar as diferenças que existem entre nós.

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Expressões que são Capacitistas para excluir do vocábulo

“Coitadinho ou coitadinha”
“Retardado”
“A expressão fingir demência”

Uma pessoa com deficiência não é “coitadinha” por conta de sua condição. Pessoas com deficiência executam suas tarefas diárias de acordo com suas especificidades e vontades. Não há empecilho, mesmo quando há uma ignorância maliciosa por parte de outras pessoas. O retardo ou deficiência mental é um termo utilizado dentro do campo da psicologia e na psiquiatria utilizado para diagnosticar uma questão médica, manifestada geralmente desde cedo pelo indivíduo. Logo, usar esse termo sugere posição de superioridade, manifestando um preconceito velado que não faz jus a real situação.

“Fingir demência” é uma expressão que caiu bastante no uso popular, principalmente para situações nas quais as pessoas querem evitar passar raiva, então afirmam “eu fingi demência”. Porém esse termo, assim como o termo retardo, provem de uma condição diagnóstica médica sobre pessoas que sofrem com uma redução das habilidades mentais (como memória e linguagem por exemplo). Portanto, utilizar esse termo para uma situação na qual não houve declínio de nenhuma capacidade neurológica, é mais uma forma de expressar e perpetuar o capacitismo. Existem diversos termos, alguns são mais utilizados do que outros, porém é importante reavaliar e repensar a fala desses termos no nosso cotidiano, mesmo que sem intenção de ofender, é importante pensar de forma empática, tratando o próximo com o máximo respeito da mesma forma que gostaria de ser respeitado. Assim, viver em uma sociedade de forma mais igualitária que valoriza as pessoas e que o preconceito não tem palco, pode deixar de ser uma utopia para virar uma realidade.

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Abraços,
Giovana.

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