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Palavreado Barreirense

Tributo a Salvador do “Bouticão”

Poema de Clerbet Luiz em homenagem ao saudoso Salvador do Bouticão, figura icônica de Barreiras…

Publicado

em

Salvador

Imagem destaque: Salvador do “Bouticão” | Foto: Arquivo familiar

Em pleno março,
com as águas fechando o verão,
ele dá no par de sapatos o seu último laço,
o Salvador do “Bouticão”.

Em pleno março,
enxaguado e lavado
de sonho e ilusão,
silencia Salvador
sua labuta no “Bouticão”.

Em pleno março,
quando crianças ainda descalças
perambulam pela Vila Papelão,
deixa no chão seu último rastro,
o Salvador do “Bouticão”.

Ele deixa órfãos mil fregueses;
deixa viúvas de suas blusas, sandálias, meias e luvas;
deixa a cidade ainda mais turva
nesse março carregado de chuva;

deixa na vitrine anéis e alianças
que um dia colocou nos dedos Nelinance;
deixa relógios pulsando ainda
marcando a hora da sua vinda,
onde agora pousa um inseto esperança,
invertebrada espera
de outro inverno
que Salvador não alcança;

deixa namoradas esperando biquinis e maiôs em abril;
deixa noivas aguardando
seu vestido em maio;
deixa no armário
suspensórios suspensos
com a notícia do seu desmaio;

deixa malas com alças,
tênis descalços.
Salvador deixa março
entre nuvens e mormaços.

O sereno Severino Salvador
deixa a camisa da marca “Volta Ao Mundo”
para ir mais fundo
num sono eterno;

deixa ternos e vestidos
que vestiram com elegância
adultos de agora
de antiga infância.

O provedor Salvador
deixa vazia a cabine do provador;
suspensórios em suspenso num canto;
garganta apertada no pranto
de muitos barreirenses
como se por um nó de gravata.

Em pleno março,
com as águas fechando o verão,
nos deixa um pouco descalços,
Salvador do “Bouticão”


Clerbet Luiz

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