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Palavreado Barreirense

O Sinal de Pinta Machado

Clerbet Luiz mais uma vez nos leva de volta à Barreiras oculta no recôndito da nossa lembrança…

Publicado

em

Pinta Machado

Imagem destaque: Pinta Machado | Foto: Arquivo Familiar

I

É óbvio e claro
como a luz do sol
ao meio dia,
lençol alvo de nazaro,
e pano de prato
de Mara Abadia;

é óbvio e claro
que esse sinal
de Edelmar Machado
dá muito na pinta.

Só não está
de todo óbvio
(para muitos)
é esse algo novo,
de novidade
de um novo ovo,
saber que o Edelmar
é o nome próprio
do ser que nessa trova
destilo em tinta,
o conhecido Pinta.

Esse da mancha
perto do queixo,
sem fios de mecha
nem caroço de ameixa,
que, vire e mexe,
ele mesmo deixa
que essa sua pecha
de Pinta permaneça.

E por ter tanta tinta,
esse sinal como nascida,
que veio nascendo na maçã
de sua face
oculta, numa tarde,
numa noite, ou de manhã,
na alvorada da madruga,
e que não é irmã
de nenhuma verruga,
nem aderente das rugas,

que nele veio crescendo
desde Pinta menino,
por baixo de sua epiderme
produzindo melamina,
que é a cor e a tinta
que em nós se fabrica;
e que na pele lá dele
é o pigmento de Pinta,

mesmo que ele a oculte agora
na barba que cultiva,
esse sinal não sai dele;
ele não se safa dele
nem de sua pele se livra.

Pinta não se livra
de ser procurado
pelas pessoas que
ele cativa;
que o chamam não
pelo nome próprio
que não é Pinta da Silva,
nem Pinta de Souza,
muito menos Pinta Dourado,
(que lembra nome dos
peixes surubim e pintado),

mas que está
registrado (o seu nome)
como Edelmar Machado,
esse personagem que
beira a paisagem
da cidade de Barreiras.

Foi assim, com jeito sutil,
sem pé e sem cabeça,
que já não há quem esqueça
do dono do sinal ou pinta,
que é símbolo, emblema,
brasão e hino,
do menino que já
veio portando no rosto
o signo da sina
de ter um sinal, sua pinta.

E esse sinal não larga,
quanto Pinta se lava,
se esfrega e se enxágua,
com sabão, bucha ou palha.

Esse filho lendário
que pode ser visto
como uma lenda
à beira do rio Grande,
em noites de lua cheia,
mesmo com o rio vazio;

que pode ser apreciado
ali numa curva do rio;
que pode ser apreciado
por quem aprecia um
drinque,
uísque,
caipirosca ou cerveja;

ali na outra margem,
do outro lado da Sertaneja;
que pode ser visto
em plena lua cheia,
como uma lenda,
um Nego D’água.
Ali está ele, Pinta,
que se entrega de bandeja.

II

Esse homem que tem
em seu rosto esse sinal
(que pode ser um sinal
de muito hormônio).

Ali no seu rosto, esse
sinal que o identifica,
e que não sai nem
quando a pele estica;
mesmo que as rugas
andem em zig zag
pelo caminho da face,
não despista a vaga
do sinal posto,
e que não é disfarce.

Não há nada que disfarce,
nem cirurgia;
nem que ali migre uma verruga;
nem que seja magra
no seu rosto suas rugas.

III

Por ser muito viajado,
Pinta tem visão avantajada.
Só sendo um ser iluminado
e morar com um rio ao lado;
só sendo muito viajado
pra, numa aventura
dessas viagens
ver o que nem todo mortal
de ver é capaz:

Nicanor ao cais,
que não
cai da canoa;
Romãozinho
sentado na proa;
Saci Pererê, Iara
e caipora,
caçados pelo
filho do Boa.

E foi em homenagem
às visões e visagens
que ele via nas aventuras
das suas grandes viagens,
como Cristóvão Colombo
vendo na América miragens,
que Pinta Machado
criou o bar Nego D’água,
que o ajuda a se livrar
das grandes indagas.

E ainda criou,
com o semblante
da própria face,
não um disfarce,
e sim uma carranca
para espantar certos espíritos
que roem as barracas:
monstros-dragas
que a areia lavada traga.

E também pra espantar
os outros espíritos que
aparecem nas “indagas”
na meia noite dos boêmios,
com o céu em lua vaga.

IV

Lá vem Pinta Machado
saindo do Nego D’água,
sem ter na mão nenhum calo,
causado por enxada,
foice, rastelo ou machado.
Vem ele pensando:
“foi-se o tempo em que
se pegava no pesado”.

Vem o macho marchando
do rumo do rio, não do riacho;
cabelo com pouco cacho;
sereno, sarado, nem alto
nem baixo;
cozinhando seu galo
com paciência no facho;
no capricho, sem relaxo;
calça com barra de riacho.

“Lé vem ele rindo”,
no dizer de Romualdo;
vai dar a mão a Genivaldo
Laurindo;
não tem o corpo suado;
vem com jeans desbotado,
em vez de bota, sandália,
camiseta branca, regata,
marinheiro de fragata;
não de primeira viagem;

de mil e uma passagens
por tantas viagens
de ver até mula sem cabeça,
caipora, Romãozinho,
e sabe que não é
nenhum bicho
de sete cabeças
criar as criaturas que vivem
no fundo do rio

e que livram seu juízo
de tantas indagas,
como esse que ele
fez uma homenagem
dando ao bar o nome
de Nego D’água.

“Lé vem…”
na linguagem
de dona Neném,
“Lé vem ele
todo faceiro,
Pinta, me fazendo figa
debaixo dum pé de filgueira,
na sombra e água fresca”.

Lá vem Pinta de sandálias
com correias que não
soltam cheiro;
sandália que, ao pé
de Machado, adere;
mas são diferentes do
sândalo, que perfuma
o machado que o fere.

V

Foi assim, com jeito sutil,
sem pé e sem cabeça
que já não há quem esqueça
do dono do sinal,
que é símbolo, emblema
brasão e hino,
do menino que já
veio portando no rosto
o signo de sua pinta

E esse sinal não larga,
enquanto Pinta se lava,
se esfrega e se enxágua,
com sabão, bucha ou palha,

e que é marca registrada
e não patente comprada;
que vem antes da crisma,
antes até do catecismo,
bem antes do batismo;

da marca na testa de cinza,
e Pinta marcado quase
igual ferro no gado
com esse sinal na face
que não é verruga de nariz;

Esse é um cabra marcado
pra viver e reviver,
sem complexo,
ou dizer um ato falho,
sem desviar das margens,
nem ir por um atalho,
cantando contente
a música de Zé Ramalho:
Eh, Eh Ô vida de gado,
povo marcado, Pinta feliz

Clerbet Luiz

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