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Palavreado Barreirense

O carnaval sem Lélia Rocha

Poesia do poeta barreirense Clerbet Luiz, descortinando a musa do carnaval de Barreiras…

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O carnaval sem Lélia Rocha

Imagem destaque: Lélia Rocha | Foto: Arquivo familiar

Lélia,
não te conheço
de outros carnavais:
quando eu ia
com a lata,
você já vinha
com os cajus;
quando quis te
ver princesa,
você já estava rainha
do carnaval.

Não te conheço
de outro cais:
quando eu ia descendo
a rampa,
você já subia
ribeirinha;
quando me entendi
como tampa,
você já era balaio,
rainha,
e agora é que caio
no Allah-la ô ô ô ô.

Não te conheço
de outros carnavais;
te conheço
da mesma micareta
que habita sua alma
sem mutreta.

Não te conheço
dentro desse silêncio
de rosto anônimo
oculto no lenço
de uma moça árabe
que requebra a
dança do ventre;

Não te conheço
dentro de um silêncio
que beira o cais;
te conheço
beiradeira
de mil gritos de
carnavais.

A dança é só
da cintura pra baixo;
nu
da cintura pra cima
é o silêncio,
que cisma em
não mostrar o rosto;

seu silêncio
é de uma moça árabe
numa dança de ventre
no deserto;
seu silêncio é anônimo
e sem cara
como um rosto de Nazaro,

só se vê o corpo
da cintura pra baixo
no movimento do
ventre;

a tempestade de
areia de um deserto
(redemoinho do tempo
no oeste da Bahia)
ocultou seu sorriso,
e era justamente
atrás de um lenço
e burca na face
que encobrias o rosto
em fantasias
de outros carnavais.

E foi com
fantasia de moça árabe
que atravessaste
o deserto do Saara?

que cruzaste este
mundo
para outro mais caro?

O sol estava quente
que queimou a sua cara?

Allah-la ô ô ô ô ô ô ô.


Clerbet Luiz

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