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O Barreirense Aroldino

Aroldino, pessoa de bom papo, elegância e sabedoria “daqueles tempos”, retratado em prosa e versos por Clerbet Luiz…

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O Barreirense Aroldino

Imagem destaque: Aroldino | Foto: Arquivo pessoal

“Nem te conto!
Ninguém merece!
Você tomou chá de sumiço?

Apareça!
Que tal, mulher!
Pode uma coisa dessa?

Não acredito!”

“Tô acreditando porque
é você que tá me contando!
Deus é mais!
Quando o caso é certo,
o dono aparece!
Vôte!”

Caminha Aroldino,
cumprimentando o povo de Barreiras;
distribuindo simpatia,
espalhando alegria no rosto.

Ah se fosse assim
com todos os outros!
Pimenta no olhos dos outros é refresco!

Segue ele com o semblante
de sempre,
faça sol, faça chuva;
em dia úmido e seco.
O humilde homem-menino,
símbolo de nossas raízes,
como Nezinho do sino,
o pequi do gerais,
a prosa, o riso,
o rio de Ondas, o cais.

Caminha Aroldino.
Entra em beco, sai beco,
cumprimentando
mil amigos,
sem ser candidato a nenhum cargo eletivo.

Segue Aroldino,
levando a cada conhecido
a palavra barreirense:
“Cê tá sumido!”
“Quais são as novas?”
“Sua mãe tá bem?”
‘Lembranças à Galega!”
“Diga a ele que mandei um abraço.”

II

Aroldino
fez o voto
de fervor devoto
por Santa Teresinha.

E vira e mexe,
se vê o antigo menino,
de face lisa
e riso fácil,
seguidor de Teresinha de Liseux.

Vira e mexe,
nas ruas de baixo,
nas ruas de cima,
se vê o brilho
nos olhos
do antigo menino,
o mesmo de sempre
e de hoje Aroldino.

Segue Aroldino
ao encalço do Divino,
onde vai Valter do Banjo,
Ritinha e Zé Bandinha
e também
as Três Marias,

com sandálias
sanfranciscanas,
leves e confortáveis,
admirando as nuvens
pombos e aves
acima da torre do sino,
como fazia
São Francisco de Assis.

III

Segue Aroldino,
estando, sendo,
e se achando feliz;
vibrando por dentro
e por fora,
como o sino
da igreja matriz.

Vira e mexe,
mexe e vira,
escolhendo muricis,
mexericas, cagaita,
e galinha caipira,
na feira livre.

Ele livre, leve e solto:
“Oi, meu anjo”,
“Bom dia, querida”.
Com o brilho do sol no rosto.

Comprando manjericão,
pau d’arco roxo,
umburana de cheiro,
“nanuscada” e pichuri.

“Bom te ver”
“Há quanto tempo!”
“Bom dia, flor do dia”

Passa Aroldino
sorrindo
pros feirantes,
pros amigos
passantes,
que vão ficando
com o passo de antes.

IV

Aroldino cristão;
mais que cristão,
sacristão.
Tão adulto e menino,
com alegria por fora e por dentro.

Filho de Helenita,
seguidor dos Carmelitas
Descalços,
seguidor do
Senhor dos Aflitos
e de Santa Terezinha.

Segue o barreirenses da gema,
agora avexando o passo.

Vixe, lá vem chuva na serra!
Vige! Xeu ir logo…

“Arriba o pé, Aroldo”,
fala pra si mesmo.

Depois a gente conversa mais, Zelia!

Clerbet Luiz

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