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Abapa e SESI Bahia investem na EJA para elevar qualificação da mão de obra no Oeste da Bahia

A Abapa tem investido cada vez mais na promoção de cursos da Educação de Jovens e Adultos…

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Quando se chega ao dilema de estudar ou trabalhar, quase sempre o peso da decisão pende em favor do mercado de trabalho e da necessidade imediata de se ganhar dinheiro para sobreviver. É triste, mas muitas vezes essa decisão é feita antes mesmo da conclusão do Ensino Médio, quando não é anterior. Se em curto prazo isso traz alguma recompensa, em longo, se transforma numa amarra que condiciona o profissional aos salários mais baixos e ao subemprego. Para quem emprega, numa região como o Oeste da Bahia, onde predomina a produção agrícola altamente tecnificada, a baixa escolaridade ou a falta de mão-de-obra qualificada também traz graves consequências.

Por isso, a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) tem investido cada vez mais, junto às instituições parceiras e aos produtores rurais, na promoção de cursos da Educação de Jovens e Adultos, a EJA. Os cursos são gratuitos, mas as dificuldades para conseguir a adesão do público, se já eram grandes antes da pandemia, tornaram-se ainda maiores depois dela. Cursos híbridos ou EAD esbarram em problemas crônicos como a incipiente conectividade no campo, ou mesmo a falta de familiaridade entre os alunos e o ambiente virtual. Em 2020, a plataforma virtual do SESI, pela parceria com a Abapa, computou mais de 120 inscrições, mas o índice de evasão dos inscritos foi de, aproximadamente, 40%. Mas este percentual já foi bem maior.

De acordo com o gerente regional do SESI, baseado em Luís Eduardo Magalhães, Henrique Costa Almeida, a configuração para o formato semipresencial, que já vinha sendo delineada antes mesmo da pandemia, surpreendentemente, tem ajudado muitos alunos a continuar até o final. “Quando tínhamos cursos 100% presenciais, chegávamos a ter evasão de mais de 70%, porque apenas o tempo da escola, mas não o do aluno, era considerado. Imagine para alguém que trabalha o dia inteiro, ter que encarar uma carga horária de ensino regular todos os dias à noite. É extremamente cansativo. Outro fator desmotivador é que não havia o Reconhecimento de Saberes, que considera a experiência que aquele aluno obteve no mercado de trabalho mesmo sem concluir o curso. É uma espécie de nivelamento que pode fazer com que ele não precise começar absolutamente do zero os seus estudos”

, afirma. O gerente lembra que para profissionais das algodoeiras por exemplo, no pico da colheita, ou mesmo para os safristas, a possibilidade de cursar as aulas online, no tempo que lhes é possível, também ajudou bastante.

Pela parceria Abapa e SESI, são oferecidos cursos para o Ensino Fundamental II e Ensino Medio. Hoje, o SESI qualifica em torno de 600 pessoas no Oeste da Bahia, e, em parceria com a Abapa, tem 230 alunos ativos. Para o primeiro semestre de 2021, já são 178 alunos matriculados através do Centro de Treinamento. Até agora, 25 fazendas foram atendidas, desde que o programa foi implantado no âmbito do CT, em parceria com o SESI. Outras instituições parceiras foram contempladas. É o caso do Sindicato dos Produtores Rurais de Barreiras (SPRB) que inscreveram 45 funcionários dos agricultores do núcleo de São José do Rio Grande, em Riachão das Neves.

EJA

“Elevar o nível de escolaridade entre os profissionais que atuam na produção agrícola é, antes de tudo uma responsabilidade social, mas representa, também, um ganho para o empregador, primeiro, porque aumenta a oferta de mão-de-obra, que, acreditem, na região, é deficitária. Segundo, porque profissionais mais escolarizados são mais conscientes na execução do seu trabalho, evitam riscos à própria saúde, ao meio ambiente e ao patrimônio, assim como desperdícios, elevando a produtividade como um todo no local de trabalho”, explica o presidente da Abapa, Luiz Carlos Bergamaschi.

De acordo com o coordenador do CT, Douglas Vieira, o Centro está concentrando esforços na sensibilização dos profissionais de RH das fazendas. “É muito importante que eles acompanhem, incentivem e orientem os profissionais que se habilitam ao EJA, através do nosso Centro de Treinamento e do SESI. Só este acolhimento pode reduzir o índice de evasão”, afirmou.

Catarina Guedes | Imprensa Abapa

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